Por felipe.martins

Rio - Isabel é uma mulher que teme pela vida, mas não perde a coragem. Aos 26 anos, ela trabalha como prostituta desde os 18. É com o nome de Isabel que se apresenta aos clientes, embora não seja verdadeiro. Nos braços e no pescoço, curativos escondem as marcas deixadas pela violência que viveu no último sábado.

Passava pouco das 19 horas quando caminhava pela avenida São João, no centro de Niterói, e foi encurralada por uma moto e um carro. O condutor da moto agarrou-a pelos cabelos e a jogou dentro do carro.

Mulher diz que foi perseguida e agredida por policiais militaresSeverino Silva / Agência O Dia

“Eu baixei a cabeça entre as pernas e senti uma faca ou navalha cortar meus braços. Depois, puxaram meus cabelos para trás e com uma navalha no meu pescoço me mostraram fotos do meu filho em frente à escola”, conta ela. Isabel recorda que os quatro homens dentro do veículo diziam apenas: “Saia da mídia. Pare com as denúncias.”

A agressão durou cerca de 30 minutos e foi comunicada à 76ª DP, em Niterói — terceira queixa registrada em menos de um mês. Tudo começou no início de junho quando ela e outras 400 prostitutas relataram em audiência pública na Alerj que foram extorquidas e estupradas por policiais durante uma operação no fim de maio, no antigo prédio da Caixa — local onde recebiam os clientes. As queixas anteriores foram feitas depois que Isabel foi seguida pelas ruas de Niterói e fotografada por policiais.

Ela teme pela segurança da família. “Desde sábado não volto para casa. Minha família não sabe das ameaças. Meu filho está doente e pede que eu volte”, desabafou .

Novo depoimento de vítima à defensoria será no sábado

No fim de maio, uma operação da 76ª DP cumpriu mandado de busca e apreensão de drogas e de exploração sexual no prédio onde Isabel trabalhava. Sem o pedido da Justiça, os policiais também interditaram quatro dos 11 andares do local.

O deputado Marcelo Freixo, que preside a comissão de Direitos Humanos da Alerj, disse acompanhar o caso e pedirá audiência com o chefe da Polícia Civil. A Defensoria Pública do Estado considerou “ilegal e desproporcional” a operação policial de maio. Os defensores tomarão novo depoimento de Isabel sobre a agressão de sábado.

O delegado da 76ª DP Glaucio Paz informou, por meio de nota, que os agentes estão investigando a agressão. Outro inquérito apura ainda extorsões sofridas por garotas de programa no local.

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