Por felipe.martins

Rio - Eles dizem amar o Brasil. Mas quando o assunto é futebol e a seleção do Chile entra em campo, a conversa muda. Mesmo minoria, os chilenos que vivem aqui vão se unir neste sábado em uma só torcida para a partida entre os dois times. E para ‘acompanhar’ os famosos brados, muito drink típico da terra vizinha, como o popular ‘terremoto’ e piscola. Se o calor der uma trégua, vale arriscar até um vinho, especialidade chilena.

“Vamos, vamos, chilenos, que está tarde, temos que ganhar” e “Chi chi chi, lê, lê, lê! Viva Chile!” são brados entoados pelos torcedores chilenos e amigos que se reunirão hoje no bar Mais que Nada Tapas, em Copacabana, para assistir ao jogo, que, segundo eles, deve ser muito disputado.

Casado com uma brasileira, com quem tem uma filha, o engenheiro de informática Mário Moreira, de 39 anos, não larga o seu Chile por nada. “O coração fica dividido, claro. Minha filha é ainda brasileira. Mas sou chileno, não tem jeito”, brincou Mário, que mora há quase três anos no Rio e vai relembrar um episódio que marcou sua vida.

“Já tinha visitado o Brasil outras vezes, e assisti aqui ao jogo entre Chile e Brasil, na última Copa, em que fomos derrotados nas oitavas de final. Mas desta vez, arrisco que ganharemos de 2 a 1”, apostou.

O chef Christian e os amigos Mario (de azul)%2C a pequena brasileira Layla%2C de 4 anos%2C e Guillermo (de vermelho) arrumam a festa no bar em CopaFernando Souza

Professor de espanhol, o chileno Guillermo Quesada, 44, que mora há oito anos no Rio, admite: está nervoso com o jogo. E ele já escuta provocações de alunos e amigos brasileiros: “Todos entraram na onda e falam para eu nem aparecer na segunda-feira, se o Brasil perder. Estamos respirando mesmo esse Mundial”, contou.

Para o torcedor, que também aposta no placar de 2 a 1 para o Chile, hoje começa a competição. “Será um jogo com muitas faltas e cartões. Mas o importante é que agora começa o Mundial de verdade, entrando nas oitavas. E é uma Copa América. Nenhum país europeu conseguiu ganhar uma copa aqui”, disse ele, também declarando o seu amor pelo país onde vive: “Em segundo lugar para mim está o Brasil, e depois qualquer país sul-americano”.

Mesmo trabalhando durante a partida, o chef Christian Morales, 31, promete dar uma pausa para acompanhar sua seleção: “Não há como eu não assistir”, garantiu ele. Apesar de torcer pelo Chile, ele já não está tão otimista: “Acho que Brasil ganha, pelo que tenho visto dos jogos.”

Bebidas típicas aquecem os ‘rojos’

Bebida famosa no Chile, o terremoto será especialmente preparado por Christian durante o jogo. “É um drink chileno, e não tem como faltar durante a partida”, disse ele. O coquetel leva o chamado pipeño – um vinho branco chileno popular —, sorvete de abacaxi, e a granadina (um licor de romã).

Para o chef, também não podem faltar as empanadas chilenas. Não há muito mistério: como um pastel brasileiro, são recheadas com carne moída, cebola, azeitonas e ovo.

Já o drink piscola também é muito conhecido entre os nossos vizinhos. “É fácil de fazer”, comentou Mário. É só misturar pisco com coca-cola, e cai muito bem para o clima quente do Rio, pois é servida gelada. Outro drink que entra no menu chileno é o pisco sour. Para prepará-lo, basta um pisco com suco de limão, clara de ovo, açúcar e gelo.

Horários de jogos alteram rotina da casa

Estádios, times e bola na rede também nunca foram a praia da professora aposentada Julia Maria Gomes da Cunha, 61 anos. Mesmo assim, ela resolveu entrar em campo na Copa de 2014. A dedicação é tanta, que Júlia adaptou inclusive a rotina da casa aos horários dos jogos.

Durante a primeira fase, todas as tarefas domésticas tinham que ser cumpridas até o meio-dia. As tardes ficavam voltadas só para o futebol. Além de ver todas as partidas, fez uma tabela com previsões e sabe até analisar taticamente cada uma das 32 seleções que entraram na disputa.

“A Copa está na nossa casa, não tem como não se empolgar”. Além do Brasil, claro, ela simpatizou muito com o futebol da Costa Rica. Só não poupa o desempenho irregular de Messi: “Não gosto dele porque é metido, quer ser o melhor da equipe.” Julia já tem suas apostas para o jogo de sábado: “Vai ser 2 a 1 para o Brasil.”

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