Por tabata.uchoa

Rio - Relatório da Comissão da Verdade em Niterói, a ser apresentado no dia 11 de julho, revelará provas de que o Estádio Caio Martins foi usado como presídio para manter pelo menos 400 presos políticos da ditadura militar. A divulgação do documento ocorrerá na Câmara dos Vereadores da cidade. O trabalho da comissão será estendido a outros locais do município em que também teria havido tortura, como o Dops de Niterói e a Fortaleza de Santa Cruz, que pertence ao Exército.

As informações fazem parte de um relatório parcial e foram divulgadas em audiência esta semana da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, que completa um ano de funcionamento. Nos documentos analisados, há registros do diretor do presídio, da quantidade de presos levada para o Caio Martins em um período específico e das procedências dos prisioneiros, como o Centro de Armamento da Marinha.

O Caio Martins foi usado como prisão pelo fato de as cadeias do estado estarem lotadas naquela épocaBanco de imagens

O relatório tem documentos da então Secretaria de Justiça da Guanabara, do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) da Guanabara e do antigo Estado Rio, além da Polícia Militar.

Segundo Gabriel Cerqueira, da Comissão da Verdade de Niterói, os pesquisadores tiveram acesso, por exemplo, a um documento feito pelo Dops que confirmaria que o Caio Martins era uma prisão e recebeu quase 400 presos. Ele disse que há confirmação de nomes de pessoas ligadas institucionalmente ao estádio, como diretor e comissários.

O pesquisador divulgou que o Caio Martins foi usado pelo fato das prisões do estado estarem lotadas. Ele lembrou que, além de local de detenção, o espaço funcionou como centro de triagem de presos. Cerqueira relatou que os presos eram levados para lá e, depois, encaminhados para interrogatórios no Dops e outros locais. Os documentos mostram que as pessoas começaram a ser enviadas ao local logo após o Golpe Militar de 1964.

Depois de 50 dias de prisão, o diretor do estádio começava a sugerir a liberação, pedindo ao Dops e ao secretário de Segurança, com base em listas de quem podia ser liberado.

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