Polícia confirma morte de jovens na Favela Novo México

Segundo informações da PM, eles estariam com armas e drogas durante operação na comunidade nesta madrugada. Ação culminou com protesto violento na Rodovia RJ-104

Por O Dia

Rio - Uma operação da Polícia Militar realizada na madrugada desta segunda-feira na Favela Novo México, em São Gonçalo, que culminou com a morte de dois jovens de 16 anos, foi a causa do violento protesto realizado na Rodovia RJ-104 nesta manhã. De acordo com a assessoria da PM, homens do 7ºBPM (São Gonçalo) estiveram na comunidade para recuperar um carro roubado, quando viram Hélio Pacheco Campos e um garoto identificado apenas como Emerson, numa moto. Houve confronto e os suspeitos foram baleados e levados para o Hospital Estadual Alberto Torres, mas não resistiram.

GALERIA: Protesto fecha RJ-104 e ônibus são incendiados

RJ-104 é fechada e ônibus são incendiados; clima tenso e três feridos durante protestoAlexandre Vieira / Agência O Dia

Com eles foram apreendidas uma escopeta calibre 12, uma pistola 9mm e drogas. A ocorrência foi registrada na 73ªDP (Neves). No entanto, os moradores negaram que os jovens tivessem envolvimento com o tráfico e que eles estavam participando de uma festa no Colégio João Goulart, dentro da comunidade. "Meu irmão estava de moto com o amigo. Ele ia em casa buscar uma roupa porque ia sair. Eles atiraram nos dois, jogaram dentro do caveirão e foram embora. Isso está acontecendo sempre aqui. Eles entram aqui toda noite e esculacham e matam morador. Os policiais ainda beberam a cerveja da festa", contou, chorando muito, Everton Campos, de 21 anos, irmão de Hélio.

Na garagem de uma casa, em frente à escola, há marcas de sangue e havia cápsulas espalhadas pelo chão, uma delas de calibre 12. "Eu estava saindo para trabalhar quando atiraram em mim", disse Márcia Regina Fasano, que levou um tiro na perna. Além dela, Silas da .S. de Oliveira, 19, e uma senhora que não foi identificada também ficaram feridos.

Bombeiros combatem chamas de ônibus incendiadosAlexandre Vieira / Agência O Dia

O segurança e também morador da comunidade, Jorge Luiz Pereira, de 38 anos, estava revoltado. "Eles ficaram atirando da pista aqui para dentro da favela. Atirar contra morador de longe isso eles sabem fazer bem. Mas entrar aqui e enfrentar os grandões (bandidos) eles não fazem. Eu estava saindo com minha esposa. Íamos trabalhar quando começou o tiroteio", reclamou ele.

Um outro morador, que preferiu não dar o nome, disse que os policiais forjaram um flagrante nos adolescentes. "Plantaram neles armas e uma moto roubada", revelou o homem. "Eles mataram uma juíza. Matar morador para eles é moleza", disse um homem que não se identificou. Ele se referia ao assassinato da juíza Patricia Acioli, morta por 11 PMs do 7º BPM, em, agosto de 2011. Todos estão presos e condenados pelo crime mas ainda não foram expulsos da corporação.

Passageiros se desesperam com ataques aos ônibus

Por volta das 7h20 desta segunda, bandidos armados da Favela Novo México fecharam as duas pistas da Rodovia Amaral Peixoto atearam fogo em três ônibus e trocaram tiros com PMs do 12ºBPM (Niterói) e do 7ºBPM. A rodovia é um dos principais acessos que liga São Gonçalo a Niterói e ao Rio por onde passam milhares de pessoas, principalmente na hora em aconteceu o confronto. O engarrafamento se estendeu por vários quilômetros em ambas as pistas e também por Maria Paula e Pendotiba, em Niterói. Às 10h as duas pistas tinham sido liberadas.

Passageiros de ônibus incendiados ficaram a pé nesta manhãAlexandre Vieira / Agência O Dia

Pelo menos 40 policiais e dois helicópteros, um deles blindado estiveram no local. Desesperados, os passageiros dos ônibus quase não tiveram tempo de sair dos coletivos. "Estão tacando fogo no ônibus com gente dentro", gritavam as pessoas correndo pela pista. Mães, aflitas, corriam com os filhos no colo na tentativa de proteger as crianças dos tiros e do fogo. "Meu filho, meu filho", gritou uma delas em desespero.

Embora seja área do 7ºBPM, policiais do 12º BPM chegaram primeiro ao local. O comandante do batalhão, tenente-coronel Gilson Chagas, no entanto, negou que tenha havido confronto entre os traficantes e policiais. "Quando chegamos os ônibus já haviam sido incendiados e não houve nenhum tiroteio", disse o oficial.

Moradores que vivem à beira da rodovia tiveram suas casas parcialmente queimadas pelo fogo ateado nos ônibus. "Acordei com o calor do fogo e saí correndo. Levei um prejuízo. Meu carro ficou um pouco queimado. Por sorte ele não explodiu porque é a gás", disse um morador que não quis se se identificar. "Eu acordei com os tiros, eram muitos tiros. Depois, veio o fogo. Meu computador está todo queimado e o celular também", contou outra moradora que também preferiu não dar o nome.

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