Filho de Eduardo Coutinho diz que matou o pai por impulso

Em depoimento, Daniel de Oliveira Coutinho disse que dormia com faca dias antes do crime

Por O Dia

Rio - Em última audiência, Daniel de Oliveira Coutinho, filho do cineasta e documentarista Eduardo Coutinho, confessou ao I Tribunal do Júri da Capital, na tarde desta quarta-feira, que matou o pai a facadas por impulso. O crime aconteceu em fevereiro deste ano, na casa da família Coutinho, na Lagoa, Zona Sul do Rio.

Daniel foi preso em flagrante, e responde pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio, pois também tentou matar, na mesma ocasião, sua mãe, Maria das Dores Coutinho. Interrogado, o acusado confirmou ao juiz Fábio Uchôa ter esfaqueado os pais.

Eduardo Coutinho na Flip 2013Divulgação


Ele contou que sofria de síndrome do pânico e que, por intuição, raspou a cabeça dias antes do crime. Nela, teria percebido uma inscrição, a sequência de números 666. A partir daí, disse ter sido tomado por uma obsessão espiritual e que, apesar de amar muito seus pais, resolveu matá-los por medo de lhes acontecer algum mal.

Daniel dormia com faca

Daniel explicou que dormia com uma faca já alguns dias antes do crime. Ele explicou que, naquele dia, acordou em pânico, sobressaltado, e decidiu, num surto, matar os pais e depois suicidar-se. Na tentativa de causar-lhes, segundo ele, uma morte indolor, atacou os pais enquanto dormiam. Primeira a ser agredida, a mãe acordou e conseguiu escapar para o banheiro. Eduardo Coutinho, o pai, levantou-se com a confusão e acabou sendo morto pelo filho.

“A pessoa que entrou no quarto dos meus pais achava que era Satanás. Quando achei a sequência de números na minha cabeça, eu pensava que era o demônio. Era uma obsessão espiritual, fui induzido a matar meus pais e depois a me matar. Eu tentei me matar, mas aí não aconteceu nada. Me senti enganado pelos espíritos. Foi quando eu fui procurar ajuda para tentar salvar meus pais”, disse Daniel Coutinho em audiência.

Antes do depoimento do acusado, foi ouvida outra testemunha do processo, o porteiro do prédio onde morava a família, José Roberto do Nascimento. O delegado Rivaldo Barbosa, da Delegacia de Homicídios, não compareceu à audiência. Com as oitivas de hoje, a fase de instrução processual está encerrada. Os autos aguardam, agora, pela juntada do laudo do exame de sanidade mental de Daniel Coutinho.

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