Torcedores e especialistas opinam sobre estado psicológico da Seleção

Nervosismo de jogadores vira tema entre adversários e torcida, que dá dicas para afastar tensão

Por O Dia

Rio - O assunto está na boca do povo e já ultrapassou as fronteiras da língua portuguesa. Enquanto brasileiros temem a instabilidade emocional dos jogadores da Seleção nos momentos decisivos, estrangeiros têm comemorado a fragilidade apresentada e enxergam no despreparo uma brecha para a vitória. Entre uma lágrima e outra, especialistas e torcedores procuram maneiras de acabar com o problema que tem atingido o time comandado por Felipão.

Para o ex-atacante Dadá Maravilha falta treinamento%3A “Quando não tem entrosamento%2C é normal que se entregue tudo ‘nas mãos de Deus’”Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Na orla de Copacabana, Torre de Babel carioca durante a Copa, turistas de vários cantos do mundo comentam o êxtase dos jogadores após a vitória nos pênaltis sobre o Chile. “Parecia que haviam ganhado o título. Nunca imaginei o maior time do mundo comemorando uma simples classificação para as quartas de final”, disse o alemão Alfons Himmer. Natural de um país conhecido pela frieza com a qual os jogadores encaram as grandes partidas, ele opina. “Tem que haver acompanhamento profissional”.

Para o ex-atacante Dadá Maravilha, o estado emocional da equipe esconde outro problema. “Falta treinamento para o selecionado. Quando não se tem entrosamento, é normal que se entregue tudo ‘nas mãos de Deus’. O resultado é esse. Descontrole na hora de decidir e euforia quando se vence. Mas essa combinação pode ser falha”, acredita. “Falta alguém que chame a responsabilidade, que diga ‘nós venceremos’. Nem que seja para intimidar o adversário. O Neymar poderia assumir esse papel”, diz Dadá.

Alheios à rotina de treinos, integrantes do bloco carnavalesco Simpatia é Quase Amor não titubeiam ao sugerir um antídoto para nossos craques. “Tem que haver um bom samba. Isso aproxima o time do povo brasileiro e integra o grupo”, diz o percussionista Roberto Barros.

“Jogar com amuletos da sorte também ajuda! Pode ser sempre a mesma meia ou até a mesma cueca”, afirma, aos risos Erik Castro, outro integrante do grupo.

Enquanto os torcedores da seleção brasileira ‘quebram a cabeça’, alguns dos nossos tradicionais rivais comemoram a crise. “Brasileiro não sabe ser emotivo e se desespera. Estamos adorando. Como conselho, pedimos para que continuem exatamente desse jeito”, ironiza o argentino Fabián Badje. Já para o colombiano Andrew Samore, que terá o Brasil como adversário no jogo do próximo sábado, a ‘torcida’ serve para que o problema esteja longe do fim, embora mantenha o respeito pelos brasileiros. “Mesmo com os jogadores abalados, o Brasil é um grande adversário. Prefiro que tudo se resolva ao final da Copa”, diz.

DEPOIMENTOS

“Para se controlar antes de uma disputa de pênaltis, por exemplo, pode-se inspirar por quatro segundos, segurar por mais quatro segundos, expirar lentamente, contando até quatro, e segurar sem ar por mais quatro. Deve-se repetir o exercíco por, pelo menos, cinco vezes.”COARACY NETO, Professor de ioga

“Roupas brancas sempre abrem os caminhos. Se existe um uniforme, não cai mal usar a roupa íntima clara. Uma vela na véspera também cai bem”. SÉRGIO PIMENTEL DE XANGÔ, pai de santo

“Se esse dito espírito de união da ‘família Scolari’ existir, a escolha de uma música como hino do grupo vale pela integração que pode proporcionar. Cantada antes dos jogos, a canção pode baixar o estresse natural que aflora antes de uma decisão e integrar todos. Cantado antes dos pênaltis, por exemplo, pode ajudar a extravasar essa emoção”.LUZAMIR RANGEL, Musicoterapeuta

“Muitas vezes é necessário extravasar, relaxar. Costumo, antes de entrar nos octógonos, receber uma sessão de massagem do meu fisioterapeuta. É quando me ‘desligo’ do mundo e me concentro na luta”, LEANDRO OLIVEIRA, Lutador de MMA

Últimas de Rio De Janeiro