Por paulo.gomes
Publicado 03/07/2014 02:35

Rio - A formação das alianças para as eleições deste ano pegou muita gente de surpresa. Ver Romário, do PSB, tentando uma vaga no Senado depois de se aliar ao PT, assim como o aperto de mão decisivo entre Cesar Maia (DEM) e Luiz Fernando Pezão (PMDB), foram episódios que revoltaram eleitores. Felizes com o maior tempo de TV, mas preocupados com uma eventual perda de votos, os políticos estão usando redes sociais, como o Facebook e o Twitter, para justificar suas alianças.

Um dos parlamentares mais atuantes na internet, Romário está enfrentando marcação implacável dos seus eleitores. Sua aliança com Lindberg Farias, candidato do PT ao governo, vem sendo contestada a cada postagem do socialista.

“Não se elege nunca mais. Se vendeu para o PT, ridículo, isso é vergonhoso”, escreveu um dos 1,1 milhão de seguidores de Romário no Facebook, numa postagem sobre deficiência visual. O comentário teve 225 “curtidas” e é apenas um dentre centenas de comentários do tipo, em diversas postagens.

Diante da revolta, ele precisou responder aos ataques e ontem escreveu uma longa postagem para justificar sua união com o PT. Disse que apoiaria Miro Teixeira (Pros) ao governo, mas que ele desistira, e indicou que uma candidatura ao Senado seria impossível sem apoio de um governador.

Deu como exemplo a questão do tempo de propaganda eleitoral na TV. “Minha candidatura avulsa, sem apoio, teria apenas 30 segundos de tempo para apresentar minhas propostas na TV. Com a coligação, serão dois minutos e meio, metade do atual governo. Acham justo?”, perguntou aos seguidores.

Candidato ao Senado pelo DEM, Cesar Maia precisou se justificar no Twitter. No dia 14 de junho, ironizou o apoio do PMDB de Pezão a Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência. “Afinal, esse apoio se dá com base em quais propostas?” Na mesma rede social, seu filho, o deputado federal Rodrigo Maia, endossou: “O Rio não precisa dos trogloditas como Cabral e Paes”.

Poucos dias depois, Cesar se apresentou como candidato ao Senado ao lado do PMDB e virou alvo de críticas. Também pelo Twitter, se justificou elogiando o governador. “Pezão apresentou os projetos de lei de reajuste de várias categorias de servidores, convergindo para uma prioridade do DEM”.

Clarissa Garotinho (PR), também recebeu reclamações dos eleitores depois que seu partido declarou apoio à eleição da presidenta Dilma Rousseff (PT). “Como poderíamos apoiar o Eduardo (Campos, PSB), que liderou a luta pra tirar os royalties do petróleo de nosso estado? Ou o Aécio, por quem tenho simpatia, mas se juntou com o que existe de pior na política do Rio de Janeiro?!”, disse, em resposta a um internauta.

Professor de Comunicação Política Eleitoral da UFRJ, Marcelo Serpa elogiou a atitude dos políticos nas redes por serem respostas imediatas, mas descartou “espontaneidade” nos comentários. “É claro que os assessores ajudam a preparar as respostas. As redes sociais são obrigatórias nessas eleições”, indicou.

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