Chapa de candidatura de Garotinho ainda indefinida

Hugo Leal (Pros), indicado como candidato ao Senado, pode desistir de tentar o cargo

Por O Dia

Rio - Na véspera do prazo final para a inscrição de candidaturas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nas eleições de outubro, a chapa encabeçada por Anthony Garotinho, candidato ao governo do Rio pelo PR, corre o risco de sofrer uma baixa: o deputado Hugo Leal (Pros) deve anunciar nesta sexta-feira a retirada de seu nome para concorrer ao Senado.

Apesar de ter sido anunciado no domingo na convenção do PR, Leal não esteve ontem no ato de formalização da chapa, realizado no Club Municipal. Ele passou o dia em reuniões com aliados no Rio para avaliar se mantém sua candidatura ao Senado ou disputa a reeleição à Câmara dos Deputados.

Em campanha%2C Garotinho e Marcio são carregados pelos bombeirosCarlo Wrede / Agência O Dia

Um dos motivos para a desistência de Leal seria a entrada no páreo do ex-ministro Carlos Lupi (PDT). Lupi resolveu lançar sua candidatura avulsa ao Senado, depois que o governador Luiz Fernando Pezão cedeu a vaga de senador ao ex-prefeito Cesar Maia.

Perguntado sobre a ausência, Garotinho indicou que ainda conta com Leal ao seu lado, mas que, se precisar trocar o nome, defenderá alguém que tenha “viabilidade eleitoral”. Além disso, garantiu que o cargo pertence ao Pros e minimizou a candidatura de Lupi. “Quando ele (Leal) se colocou para o cargo, disse que queria ser o único a ser 100% da base da Dilma. O Lupi não é ameaça, ele é como ‘Dona Flor e seus dois maridos’, sendo um deles o Pezão e o outro o governo federal”, ironizou.

O ato de ontem foi a primeira aparição pública de Márcio Garcia, oficializado como vice de Garotinho. Ele é major do Corpo de Bombeiros, e foi um dos 439 presos durante a greve da corporação em 2011. A primeira opção para o cargo era Marcello Crivella, que preferiu seguir candidato ao governo pelo PRB.

‘Sou o único capaz de mandar o PMDB para o lixo da história’

A campanha não começou oficialmente, mas o clima do ato de ontem era de comício eleitoral. Cerca de 500 pessoas, entre bombeiros, guardas municipais e PMs, compareceram ao evento para apoiar o vice Márcio Garcia e carregar Garotinho literalmente nos braços — o candidato foi levantado depois de ser fotografado ao lado dos bombeiros presos em 2011.

O candidato do PR aproveitou para disparar contra o atual governo, antecipando o tom de sua campanha. Chamou Sérgio Cabral de ditador diversas vezes, acusou-o de comprar os partidos de base . “O Rio é o único lugar que os partidos apoiam o último colocado nas pesquisas. Não é estranho?”, afirmou Garotinho.

O candidato se disse perseguido pela imprensa e indicou ser “o único capaz de enfrentar e mandar o PMDB para lata de lixo da história do Rio”. O PT de Lindberg Farias não escapou. “Eles criticam a UPP porque não tem social, mas a secretaria que cuida disso era deles. Se não tem, a culpa é deles”, acusou.

Garotinho ameaçou ainda mostrar mais imagens comprometedoras de Cabral. Em 2012, ele colocou fotos do peemedebista em seu blog, nas quais ele aparecia em festas, em Paris, ao lado de Fernando Cavendish, na época um dos donos da construtora Delta. “Ainda tem coisa. Uma pena ele não ser mais candidato, tenho umas fotos bem especiais dele para revelar. ”

Ao fim do ato, um samba exaltou o deputado, que dizia no refrão: “Meu voto é consciente, Garotinho governador e Dilma presidente”.

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