Pênalti faz mal ao coração, alertam especialistas

Prorrogação eleva nível de adrenalina, o que aumenta risco de AVC e infarto em cardiopatas e hipertensos, que chegam a suspender remédios para poder beber

Por O Dia

Rio - Acabou o tempo regulamentar. Lá vem a prorrogação. O gol não sai! Ai, meu Deus! Agora só nos pênaltis! Converteu o primeiro, perdeu o segundo. O goleiro agarra! É o cara! Lá vem o adversário! Na traaaave!” Em tempos de Copa do Mundo, nem sempre o coração do torcedor suporta tanta tensão, sofrimento e emoção . Com o corpo mergulhado em adrenalina, os batimentos cardíacos se aceleram e a pressão arterial aumenta. Daí para o enfarte ou o acidente vascular cerebral (AVC) é um simples toque de bola.

Especialistas alertam: uma repentina 'má digestão', enjoo e suor frio podem ser os primeiros sinais de enfarte. Formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo, podem ser prenúncios de AVC. O conselho não é muito agradável, mas pode salvar vidas: parar de ver o jogo imediatamente e buscar socorro médico com urgência.

Tensão no limite durante jogo pode ser prejudicial à saúde do torcedorAndré Luiz Mello / Agência O Dia

No último jogo do Brasil, contra o Chile, no Estádio do Mineirão, em Minas Gerais, o torcedor carioca Jairo Ruedo de Oliveira Guimarães, 69 anos, sentiu-se mal durante a disputa de pênaltis. Hipertenso e diabético, Jairo foi socorrido mas não resistiu ao enfarte e morreu minutos depois de a Seleção Canarinho mandar os chilenos para casa.

“Há mais probabilidade de a pessoa passar mal e até enfartar ou ter um AVC quando a disputa vai para os pênaltis. Conforme o tempo vai passando, e o jogo transcorrendo, mais adrenalina vai sendo liberada no organismo. Quando chega numa situação de pênalti, a tensão está no auge e pode haver pico hipertensivo, principalmente em quem já apresenta problemas cardiovasculares”, explica o cardiologista Luiz Camanho, especialista em arritmia cardíaca.

“O torcedor gosta de ingerir bebibas alcoólicas. Muitos cardiopatas e hipertensos suspendem a medicação para beber, aumentando os riscos”, arremata o cardiologista Cláudio Castro.

Venda de kit cresce 300%

No último jogo do Brasil, o aposentado Sérgio Cabral, 71 anos, sentiu que o rosto começou a esquentar quando a disputa foi para os pênaltis. “Acho que estava vermelho. A gente fica muito nervoso mesmo. Tem vezes que aumento a dose do remédio da pressão para prevenir”, revela o tricolor de carteirinha.

O teste Troponina I, da empresa OrangeLife, detecta com rapidez quando a pessoa está enfartando. Segundo o presidente Marco Collovati, em junho houve um aumento de 300% nas vendas do kit para hospitais e postos nas regiões onde os jogos estão sendo realizados — de 25 mil unidades, saltou para 100 mil.

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