Rio - “Copa das Copas”? Para um Mundial que custou a chegar aos corações dos brasileiros, mas acabou arrebatando geral, o campeonato que termina em uma semana já deixa saudade. Goleadas surpreendentes, performances históricas, fiascos monumentais e muito, muito choro — principalmente da Seleção — e ranger de dentes. Que o diga quem sofreu nos mata-matas! E teve gente que jurava que não ia ter Copa...
É a Copa dos cabeludos, dos ultravaidosos, dos supercraques, dos festeiros; está sendo um Mundial em que a América Latina redescobriu-se. Um megaevento que está passando no teste — bata-se na madeira para que nada dê errado —, apesar de promessas de mascarados furiosos de melar o torneio. Um gol bonito do turismo, que terá muitas vitórias pela frente.
Se não deu para evitar as lambanças dos senhores juízes — como a que permitiu a caçada implacável a Neymar, infelizmente abatido —, pelo menos afastaram-se todas as dúvidas se foi gol ou não, graças às câmeras do tira-teima. O propalado ‘Padrão Fifa’ ficou devendo, sobretudo na comida que acabava no meio do jogo e nas lamentáveis invasões. Mas a festa está sendo bonita, vibrante, emocionante, como toda celebração brasileira. E agora serão mais quatro jogos, dramáticos, até domingo. É para não esquecer nunca mais.
BATERAM UM BOLÃO
1 - TRANSPORTE PÚBLICO
No Rio, o metrô funcionou tão bem quanto um toque de bola ágil. A divisão dos torcedores por estação e as interdições do trânsito no Maraca garantiram a fluidez, e quem foi a qualquer jogo voltou em meia hora. Resta saber se na final será assim...
2 - FESTA NAS RUAS
A despeito da decoração tímida e tardia, o torcedor carioca gosta de se esgoelar fora de casa. Tanto que o Alzirão está bombando, Copacabana é uma alegre Babel com o Fifa Fan Fest, e a Lapa virou um point de todos os turistas.
3 - GOLEADAS
Logo no segundo dia, tivemos aquele placar acachapante de 5 a 1 da Holanda em cima da campeã Espanha. E continua a chover gol no Brasil. Estamos a 12 tentos de bater o recorde de 171 da Copa da França, de 1998. Faltam quatro jogos.
4 - NEYMAR
Herói e mártir da Seleção, fez quatro gols preciosos, mas foi cortado após a entrada criminosa de Zúñiga. Já tinha sido caçado pelos chilenos, mas ajudou a derrotá-los confirmando o pênalti das oitavas. Agora é para ele que a Seleção vai jogar.
5 - DAVID LUIZ
Zagueiro cabeludo caiu nas graças do Brasil. Carismático, raçudo, engraçado e decisivo: marcou dois gols, como o da vitória sobre a Colômbia, anteontem. E demonstrou ter espírito esportivo, ao consolar James Rodríguez após o jogo de sexta.
6 - JAMES RODRÍGUEZ
O menino de 22 anos que seria um coadjuvante de Falcao García, cortado, tornou-se o herói da Colômbia, anotando seis gols — o que talvez lhe renda o título de artilheiro da Copa. É novo e terá pelo menos mais três mundiais pela frente.
7 - LIONEL MESSI
É o cara. E o Papa Francisco vai ter de fazer muita promessa para que o pequenino não se machuque nem seja abatido em campo, pois, a exemplo de Neymar, a seleção argentina depende demais do camisa 10.
8 - MIROSLAV KLOSE
Pode terminar esta Copa como o maior artilheiro da história dos mundiais. Tem 15 gols, empatado com Ronaldo Fenômeno. O curioso é que começou como quem não quer nada, no banco, mas não perdeu o faro de matador.
9 - ARENA FONTE NOVA
Com a exceção do jogo zerado em que a Holanda penou para bater os costa-riquenhos nos pênaltis, estádio de Salvador protagonizou as maiores goleadas, e quando a rede não estufou tanto, sobrou emoção. Foram 24 gols na Bahia.
10 - FERNANDA GENTIL
Na telinha, é a ‘musa não oficial’ da Copa. A bela loura não arredou o pé da Seleção e seguiu os jogadores pelo país inteiro — sem jamais tirar o sorriso do rosto ou deixar de atender os fãs. Se o Brasil conquistar o hexa, bem que ela merece segurar a taça.
11 - JUNINHO PERNAMBUCANO
No extenso time de comentaristas escalados para a cobertura das tevês, foi uma grata surpresa. Com análises claras e pertinentes, não falou besteira e ainda provou conhecer bastante do futebol francês. Destaque também para o sempre querido Alex Escobar, na narração.
PISARAM NA BOLA
1 - ENGARRAFAMENTOS
Quem estava de carro em dia de jogo do Brasil ou no Maracanã penou. Até a prefeitura acertar a parte tática, decretando feriado integral, o meio de campo da cidade embolou. Meio expediente significou megacongestionamentos.
2 - FERIADOS
A previsão era assombrosa: o estado perderia R$ 4,5 bilhões com os feriados da Copa. E quem insistiu em abrir quando a Seleção jogava sentiu: ruas vazias, lojas às moscas... até restaurantes reclamaram. A turistada é bastante econômica.
3 - ARBITRAGENS
Parece Campeonato Carioca: desencontros, nervosismo, tolerâncias. A gota d’água ficou por conta do espanhol Carlos Carballo, que permitiu os coices dos colombianos — como o que tirou Neymar da Copa — e mal mostrou o amarelo.
4 - FRED
Alvo do bom humor irônico e ácido de internautas revoltados com sua atuação, tricolor ainda está devendo com a Amarelinha. Com a saída de Neymar, terá de jogar contra a Alemanha o que não jogou nas últimas cinco partidas.
5 - DANIEL ALVES
Lateral que deu uma lição contra o racismo, ao comer uma banana que lhe foi atirada, parece que ainda está verde. Nas quartas, perdeu o lugar para Maicon, que deu conta do recado. Sem Neymar, pode voltar ao time — e fazer a diferença.
6 - CRISTIANO RONALDO
O melhor do mundo não passou nem perto. A equipe portuguesa não ajudou, é verdade. Mas CR7 chamou mais atenção pela vaidade extrema e os cortes extravagantes do que pela bola que jogou. Quem sabe em 2018...
7 - ?LUIS SUÁREZ
Começou obrando um milagre: operado do joelho a um mês do Mundial, atacante recuperou-se e foi determinante para o Uruguai passar para as oitavas. Impulsivo, porém, virou vilão ao morder Chiellini, recebendo dura sanção da Fifa.
8 - IKER CASILLAS
Em 2010, goleiro foi o símbolo da vitoriosa Espanha. Quatro anos depois, voltou a representar o time, desta vez numa campanha em que tudo deu errado. A começar na estreia, com a humilhante enfiada de cinco gols imposta pela Holanda.
9 - MARACANÃ
O ‘Maior do Mundo’ teve momentos de vexame nesta Copa, como o mal-estar com argentinos e brasileiros e a invasão de chilenos à sala de imprensa. Trapalhadas da Fifa que o velho Mário Filho não merecia. Que sedie uma final memorável.
10 - PATRÍCIA POETA
Bem que a Globo tentou fazer da parceira de William Bonner na bancada do ‘JN’ a nova Fátima Bernardes, mas não deu. A simpática jornalista começou a Copa com a já icônica ‘bufada’ ao vivo e pareceu perdida no mundo do futebol. Saudades do “Onde está você, Fátima?”
11 - RONALDO FENÔMENO
Como comentarista, é um ótimo ex-jogador. Gastou saliva com obviedades e redundâncias — “Tem que partir para o ataque, tem que fazer gol, porque ganha o jogo quem mais faz gol” — e foi na aba dos colegas de transmissão. E seu nome já estava queimado antes de a bola rolar, com o “Não se faz Copa com hospital.”