Por paulo.gomes

Rio - Responsável pela investigação que resultou na prisão dos envolvidos na máfia dos ingressos para a Copa do Mundo, o delegado Fábio Barucke, da 18ªDP (Praça da Bandeira) afirmou que vai encerrar o inquérito ainda nesta terça-feira e enviará para o Ministério Público, com 12 indiciados. Entre eles, Raymond Whelan, executivo da Match Services, empresa autorizada pela Fifa a vender entradas de jogos do Mundial, que deixou a cadeia no início desta madrugada através de um habeas corpus, após ficar preso por 12 horas. 

De acordo com Barucke, Ray Whelan era aguardado às 10h na delegacia para prestar depoimento sobre o caso. Como não compareceu, o delegado crê que o executivo deva falar somente em juízo. O inglês foi preso na tarde de segunda-feira, acusado de ser um dos principais fornecedores da quadrilha internacional de cambistas chefiada pelo francês Mouhamadou Lamine Fofana, preso na semana passada.

Ainda segundo o delegado, o executivo pagou fiança de R$ 5 mil e comprometeu-se a não deixar o país. Barucke deve agora solicitar a prisão preventiva de Whelan. "O procedimento agora será encaminhado para a Justiça. Os indícios são fortes [para a prisão dos suspeitos]. A soltura [de Whelan] faz parte do processo. A Justiça entendeu que ele tinha direito de responder em liberdade, que não iria fugir. Mas ela não analisou o inquérito. As provas não foram analisadas. Então, agora vou encaminhar para que a Justiça possa analisar", disse Barucke.

Raymond Whelan deixou a 18ªDP (Praça da Bandeira) no início da madrugada desta terça-feira graças a um habeas corpus concedido pela JustiçaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Ele foi indiciado por associação criminosa e pelo artigo 41-G do Estatuto do Torcedor, por “fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos para venda por preço superior ao estampado no bilhete”. Com ele, os policiais apreenderam computadores, celular e 82 ingressos para jogos da Copa, incluindo entradas da final.

Advogado garante que Whelan não deixará o País

"Não há razão jurídica para a decretação da prisão dele. Temporária, nem preventiva", disse aos jornalistas, Fernando Fernandes, um dos cinco advogados de defesa de Raymond Whelan, anunciando a decisão da Justiça por volta das 2h, pouco depois de chegar à 18ª DP, onde o executivo inglês passou a noite de segunda-feira e parte da madrugada desta terça. A previsão antes da concessão do habeas corpus era de que o executivo fosse transferido durante o dia para o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Segundo Fernando Fernandes, a defesa de Whelan entrou com o pedido de habeas corpus por volta das 22h no plantão do TJ. A solicitação foi aceita à 1h30 e às 2h ele já estava na delegacia para iniciar os procedimentos para a soltura do executivo. Um oficial de justiça trazendo o alvará de soltura chegou à delegacia às 4h30. Dezessete minutos depois o inglês deixava o local acompanhado dos advogados e sem dar declarações. De táxi, ele voltou para o Copacabana Palace.

Fernando Fernandes informou que os próprios advogados de Whelan sugeriram no TJ que o passaporte do executivo ficasse acautelado no órgão, num gesto para demonstrar que o inglês não tem o objetivo de sair do Brasil até o fim das investigações sobre a venda ilegal de ingressos para a Copa do Mundo. Ele disse ainda que o executivo poderá prestar depoimento a qualquer momento na delegacia, assim que for convocado. Segundo o advogado, Whelan demonstrou tranquilidade no tempo em que permaneceu na delegacia, mas aparentava cansaço.

Mohamadou Lamine%2C chefe da quadrilha%2C foi preso na semana passada também no Rio de JaneiroSeverino Silva / Agência O Dia

Cerca de 900 ligações telefônicas entre Lamine e Whelan

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o contato entre Lamine Fofana e Whelan foi intenso durante a Copa do Mundo, como comprovaram as interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, que grampeou o celular do segundo. Num intervalo de apenas 20 dias, em meio à primeira fase da competição, eles se comunicaram através de 900 registros telefônicos, incluindo ligações e mensagens de texto. O principal teor das conversas eram pedidos de ingressos feitos pelo franco-argelino ao chamado ‘tubarão’ da Fifa. O telefone do inglês constava na agenda do celular de Lamine Fofana como “Ray Brazil”.

Em maio de 2013, Whelan assinou contrato de fornecimento de ingressos com a Atlanta Sportif International, empresa de consultoria a jogadores e clubes do franco-argelino. “Ele era o facilitador para a distribuição ilegal de ingressos da Copa”, garantiu Fábio Barucke.

A Match, em nota oficial, afirmou que tem "total confiança de que os fatos que irá estabelecer Ray Whelan não cometeu qualquer violação da legislação brasileira".

Com informações da Agência Brasil

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