Promotor teme possível fuga de 'tubarão' da Fifa

Marcos Kac diz que soltura do executivo inglês Ray Whelan pode atrapalhar investigação de apura a máfia dos ingressos

Por paulo.gomes

Raymond Whelan%2C que deixou cadeia nesta madrugada após ficar 12 horas preso%2C será indiciado ao lado de mais 11 envolvidos na máfia dos ingressosOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Rio - O promotor Marcos Kac, do Ministério Público do Rio, afirmou nesta terça-feira que o habeas corpus concedido ao executivo da Match, Raymond Whelan, pode atrapalhar a investigação que apura a máfia dos ingressos. O inglês ficou preso por cerca de 12 horas e deixou a 18ªDP (Praça da Bandeira) nesta madrugada, após decisão da desembargadora do plantão judiciário do Rio de Janeiro, Marília Castro Neves Vieira.

"A possibilidade de fugir do país sempre existe, mas não é isso que nos preocupa neste momento. O que nos preocupa é que a investigação está na sua fase final e que a gente está reunindo todos os elementos de prova possíveis e imagináveis para fazer uma denúncia completamente embasada. Na verdade um dos requisitos é que o indiciado pode destruir provas, pode esconder indícios do crime, isso ele pode fazer solto, coisa que não poderia fazer preso", disse Kac, em entrevista para a CBN.

Marcos Kac afirmou que não existe dúvida da ligação de Whelan com o francês Mouhamadou Lamine Fofana, preso na semana passada e considerado o chefe da quadrilha internacional de cambistas.

"A investigação já dura mais de três meses, nós temos escutas telefônicas que provam que o número fornecido pela Fifa, que era utilizado pelo Raymond, recebeu 900 ligações do Fofana. Isso vai estar encartado nos autos do processo criminal, e nós temos outra série de elementos provando trocas de mensagem em que o Fofana solicita ingressos e o Raymond diz quando custava os ingressos", afirma.

Doze envolvidos serão indiciados pela polícia

Responsável pela investigação que resultou na prisão dos envolvidos na máfia dos ingressos" para a Copa do Mundo, o delegado Fábio Barucke, da 18ªDP, afirmou que vai encerrar o inquérito ainda nesta terça-feira e enviará para o MP, com 12 indiciados, entre eles, Raymond Whelan.

De acordo com Barucke, Ray Whelan era aguardado às 10h na delegacia para prestar depoimento sobre o caso. Como não compareceu, o delegado crê que o executivo deva falar somente em juízo. Ainda segundo o delegado, o executivo pagou fiança de R$ 5 mil e comprometeu-se a não deixar o país. Barucke deve agora solicitar a prisão preventiva de Whelan.

"O procedimento agora será encaminhado para a Justiça. Os indícios são fortes [para a prisão dos suspeitos]. A soltura [de Whelan] faz parte do processo. A Justiça entendeu que ele tinha direito de responder em liberdade, que não iria fugir. Mas ela não analisou o inquérito. As provas não foram analisadas. Então, agora vou encaminhar para que a Justiça possa analisar", disse Barucke.

Ele foi indiciado por associação criminosa e pelo artigo 41-G do Estatuto do Torcedor, por “fornecer, desviar ou facilitar a distribuição de ingressos para venda por preço superior ao estampado no bilhete”. Com ele, os policiais apreenderam computadores, celular e 82 ingressos para jogos da Copa, incluindo entradas da final.

Advogado garante que Whelan não deixará o País

"Não há razão jurídica para a decretação da prisão dele. Temporária, nem preventiva", disse aos jornalistas, Fernando Fernandes, um dos cinco advogados de defesa de Raymond Whelan, anunciando a decisão da Justiça por volta das 2h, pouco depois de chegar à 18ªDP, onde o executivo inglês passou a noite de segunda-feira e parte da madrugada desta terça. A previsão antes da concessão do habeas corpus era de que o executivo fosse transferido durante o dia para o Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio.

Mohamadou Lamine, chefe da quadrilha, foi preso na semana passada também no Rio de JaneiroSeverino Silva / Agência O Dia

Segundo Fernando Fernandes, a defesa de Whelan entrou com o pedido de habeas corpus por volta das 22h no plantão do TJ. A solicitação foi aceita à 1h30 e às 2h ele já estava na delegacia para iniciar os procedimentos para a soltura do executivo. Um oficial de justiça trazendo o alvará de soltura chegou à delegacia às 4h30. Dezessete minutos depois o inglês deixava o local acompanhado dos advogados e sem dar declarações. De táxi, ele voltou para o Copacabana Palace.

Fernando Fernandes informou que os próprios advogados de Whelan sugeriram no TJ que o passaporte do executivo ficasse acautelado no órgão, num gesto para demonstrar que o inglês não tem o objetivo de sair do Brasil até o fim das investigações sobre a venda ilegal de ingressos para a Copa do Mundo. Ele disse ainda que o executivo poderá prestar depoimento a qualquer momento na delegacia, assim que for convocado. Segundo o advogado, Whelan demonstrou tranquilidade no tempo em que permaneceu na delegacia, mas aparentava cansaço.

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