Solidários, argentinos lamentam fim do sonho de clássico sul-americano na final

Brasileiros recebem inusitado apoio dos cerca de três mil argentinos acampados no Terreirão do Samba

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - O inusitado apoio dos cerca de três mil argentinos acampados no Terreirão do Samba, no Centro, à Seleção Brasileira não foi suficiente para garantir uma final sul-americana no Mundial, como desejavam os ‘hermanos’. Regados a chimarrão e sob argumento de que a Copa deveria ficar no continente, os fãs de Messi, na verdade, sabiam da fragilidade do time de Felipão e temem o confronto com os alemães, que impuseram a eliminação à Argentina no Mundial da África do Sul, há quatro anos, por 4 a 0.

“No, No!”, desesperava-se Joaquim Bustamente, de 27 anos, ao lado da também decepcionada Daniela Buyatti, 24, a cada gol da Alemanha. “Seria tão importante uma final entre nós, argentinos e brasileiros, com a Copa disputada aqui. É lamentável”.

“Quero o novo ‘Maracanazzo’, Brasil e Argentina na final, mas a falta de Neymar pode ser fundamental para a Seleção”, avaliou, antes de a Alemanha começar a atropelar o Brasil, Franco Sirena, de 19 anos, que veio da cidade de Salta e está há duas semanas no Rio.

Mais sincero e triste depois dos primeiros cinco gols do time alemão, Ivan Cabrera, 27, admitia que queria enfrentar o Brasil. “Seria muito melhor. Na África, os alemães nos mandaram para casa. Não pode acontecer aqui, mas vamos para a final encará-los”, disse o jovem, que veio da capital Buenos Aires, confiante na vitória da Argentina hoje contra a Holanda.

O Terreirão do Samba foi tomado por carros de passei, ônibus, vans, trailers e motohomes, com placas negras de três letras e três números em branco, sobre os quais se lê: Argentina. Os sete gols alemães não arrancaram pouco mais que aplausos de alguns chilenos, ainda magoados por terem sido eliminados pelo Brasil.

Agarrado à cuia de chimarrão durante o jogo%2C o argentino Joaquim lamentou a derrota brasileira. Ele disse que a Copa deveria ficar no continenteAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Caso os ‘hermanos’ passem para a final, que será disputada no Maracanã, domingo, a prefeitura pode abrir novo estacionamento na Praça da Apoteose, para abrigar mais visitantes argentinos que virão de São Paulo, após a semifinal que será jogada hoje contra a Laranja Mecânica.

A fé no camisa dez da Argentina, eleito quatro vezes o melhor jogador do Mundo, segue intacta, mesmo que pela frente os ‘hermanos’ tenham que enfrentar a seleção que humilhou o pentacampeão Brasil ontem. “Para mim, não faz diferença Alemanha ou Brasil. O Messi engole os dois”, apregoava Gastón Gonzalez, 29.

“Estou há um mês no Brasil, rodando de carro. Já fui a Brasília, São Paulo, já gastei muitos dólares, mas queria mesmo uma final com o Brasil. O que aconteceu hoje foi uma vergonha. Mas Messi vai vingar os brasileiros: seguro, seguro (garantido)”, disse Fabian Torres, 32.

Cardápio em espanhol para agradar à freguesia gringa

“Que tal comer uma ‘haburguesa?’ Dentro vai ‘queso’, ‘huelvo’ e ‘ensalada’. Para acompanhar: ‘papa frita’”. O cardápio do hambúrguer que os cariocas tanto conhecem está exposto em bom espanhol nos bares que funcionam no Terreirão do Samba, para garantir que a freguesia ‘gringa’ compreenda as opções. No local, há também água corrente, banheiros e segurança para nossos visitantes.

“Damos um jeito de nos entender. Recebi uma nota de mil pesos chilenos, que nem sei ainda quanto vale, mas vamos trabalhando e atendendo os meninos, que são muito simpáticos”, contou a comerciante Vanda Soares do Nascimento, a Tia Vanda do Império Serrano, de 49 anos, há 10 trabalhando no Terreirão. “Nunca vi tanto gringo passando por aqui. Nem no Carnaval”, garantiu.

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