Por felipe.martins

Rio - O bicho está solto no Rio de Janeiro. A presença de animais silvestres vem se tornando frequente na área urbana. São jacarés, capivaras, gaviões, falcões, cobras, micos, tucanos e outros exemplares da fauna, que chamam a atenção em meio à ‘selva de pedra’, e não mais só em áreas rurais e periferias. A maioria dessas espécies só é agressiva quando atacada, mas a invasão da bicharada causa transtornos.

No domingo, uma jiboia de cinco metros e pesando 40 quilos caiu de uma árvore sobre um carro que estava estacionado na Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca. “Estava com amigos vendo a paisagem, quando a cobra caiu e amassou o teto do carro. Foi inusitado, mas deu medo”, comentou Gabriel Figueiredo, de 20 anos. A cobra foi capturada por bombeiros e levada para o Centro de Recuperação de Animais Silvestres da prefeitura.

Gavião sobrevoa Botafogo%2C onde tucanos convivem com micosAlessandro Buzas / Agência O Dia

Mês passado, a Quinta da Boa Vista chegou a ter passeios de pedalinho suspensos por causa de um jacaré-do-papo-amarelo, de 1,26m, apreendido depois de dar dois dias de canseira em agentes da Patrulha Ambiental. Segundo o órgão, pelo menos oito jacarés são resgatados por mês no asfalto no Rio.
Em janeiro, outro susto: um ouriço-caixeiro que se equilibrava num fio de poste de luz na Avenida Marquês de São Vicente, na Gávea, despencou na cabeça de Sandra Rocha de Paula, 52. Médicos retiraram 300 espinhos de seu couro cabeludo.

Em Botafogo, três tucanos fazem a alegria dos moradores da Praça João Fortes e arredores. Já gaviões costumam dar rasantes no Méier e na Ilha do Governador. No Youtube, vídeo postado pelo engenheiro Octávio Reis (www.youtube.com/watch?v=xuSK3YYSkuU) mostra uma capivara na Lagoa Rodrigo de Freitas atacando um homem para proteger os filhotes.

No Jardim Botânico e em Santa Teresa, micos-estrela são ‘hóspedes’ diários de casas e apartamentos.
“Entram em busca de comida. De vez em quando, quebram uma louça”, conta o advogado aposentado Rivaldo Lírio, 67.


‘Convivência já é irreversível’

Fundador do Instituto Jacaré, o biólogo Ricardo Freitas Filho, um dos maiores especialistas em comportamento animal do país, diz que a convivência do ser humano com animais no Rio é irreversível.
“Os animais já sofrem por serem expulsos de suas matas e resistem como podem à poluição e violência urbana. Temos que aprender a dividir o planeta com os bichos harmoniosamente. Do contrário, desequilíbrios ambientais colocarão em risco a própria sobrevivência humana”, alerta.

De acordo com Freitas, a presença do réptil nas ruas e próximo a moradias é cada vez maior no entorno do Complexo Lagunar de Jacarepaguá (formado pelas lagoas da Tijuca, Camorim, Jacarepaguá e Marapendi), onde existem cerca de quatro mil animais dessa espécie. Em contrapartida, a população ao redor desse paraíso crocodiliano foi a que mais cresceu no Rio nos últimos 16 anos, com mais de 400 mil habitantes e centenas de novos empreendimentos imobiliários.

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