Sedes do IML no Rio e na Baixada agonizam

Falta de materiais básicos, como luvas descartáveis para o serviço, e escassez no número de peritos e legistas, fazem parte da realidade destas unidades

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Responsável pela realização de perícias e laudos nas áreas de identificação, criminalística e Medicina Legal, a Polícia Técnica e Científica do estado passa por uma grande crise. Postos e Institutos Médicos-Legais (IMLs) caindo aos pedaços, falta de materiais básicos, como luvas descartáveis para o serviço, e escassez no número de peritos e legistas, fazem parte da realidade destas unidades.

No prédio do posto de Campo Grande, na Zona Oeste, a situação é caótica. Já na entrada principal da unidade é possível notar o descaso. Cartazes com avisos ‘porta com defeito’ denunciam o abandono. Além de outras portas interditadas e danificadas, o local ainda possui rachaduras e infiltrações nas paredes, cadeiras quebradas e jogadas no pátio. Ladrilhos se soltando no alto da parte externa do prédio são sinais de perigo.

Nos IMLs de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o cenário não é diferente. No posto que fica no subsolo da 59ª DP (Duque de Caxias) e o necrotério do IML no bairro 25 de Agosto, ambos em Caxias, funcionários trabalham com diversas irregularidades. Em junho, O DIA denunciou as mazelas na unidade de Nova Iguaçu.

Fiação exposta no IML de CaxiasDivulgação

“Peritos estão trazendo de casa máquinas fotográficas para o trabalho de rua. Ainda compram do próprio bolso luvas e material para isolamento de local de crime. A situação é vergonhosa. Em Campo Grande, os peritos também estão tirando plantão em Angra dos Reis por falta de profissionais naquela região”, afirmou um perito criminal que não quis se identificar.

De acordo com informações dos funcionários de Caxias, todo o quadro elétrico do Instituto Médico-Legal está precário e há risco de choque ou incêndio. As geladeiras onde são guardados os corpos estão com as portas enferrujadas e danificadas. “Pisos estão quebrados e dificultam a limpeza, com acúmulo de resíduos biológicos. Quem trabalha neste local, corre o risco de ser contaminado”, desabafou um perito.

E a precariedade do necrotério vai além. Em várias salas ainda há luminárias de rua improvisadas com gambiarras, iluminação insuficiente para a realização do trabalho e fiação exposta. Para um funcionário, o expediente no IML de Duque de Caxias é um desafio. “Corremos o risco de ser eletrocutados, pois há fiação exposta no piso molhado”, denuncia.

Unidades são investigadas pelo MP e TCE

Os Institutos Médicos-Legais de Caxias e Campo Grande já foram alvos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público do Rio, em 2010, quando inspeção concluiu que faltavam manutenção e investimentos nas unidades.

Para a presidente da Associação dos Peritos Oficiais do Estado (Aperj), Denise Rivera, a Polícia Técnica está abandonada. “Os peritos deveriam trabalhar por 24 horas e folgar quatro dias, mas só tiram dois pois têm que cobrir plantão em outros postos. É cansativo”, reclama.

Ainda segundo ela, no estado só há 300 peritos criminais e 265 legistas: “Deveria haver pelo menos 1.500. Só no IML do Centro, onde há apenas dois peritos, são feitos por dia 150 exames de corpo de delito. Até lá, que deveria ser a referência, há aparelhos sucateados”.

Na Av. Mem de Sá, a antiga sede do IML do Rio, fechada em 2009, continua abandonada. “Deveria ser tombado, pois tem valor histórico”, alega Rivera.

Sobre as condições dos postos, a Polícia Civil informou que fez levantamento dos locais e enviará documento para a Secretaria de Segurança. Já sobre o prédio da Mem de Sá, a assessoria informou que, no local, funcionam setores administrativos da instituição que estão sendo remanejados.

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