Rio - Para os católicos, eles têm uma espécie de ‘linha direta’ com Deus. Não por acaso, o jogo de domingo já foi apelidado de ‘final santa’ pelos torcedores. Representantes dos dois países que podem conquistar no Maracanã a taça mais desejada do futebol, os papas Francisco e Bento XVI, quem sabe, podem assistir à partida juntos. A redação brasileira da Rádio Vaticano entrevistou na Itália dois padres que têm programas na emissora — um alemão e um argentino — e que conhecem bem os Pontífices. Em pauta, como ambos devem reagir diante do duelo dos melhores do mundo.
“Francisco não olha TV, não tem TV no seu apartamento, mas Bento XVI, sim.Bento, talvez, o convidará para assistir à partida (risos) e talvez, ao invés de olhar a partida, irão à capela rezar, um pela Alemanha e outro pela Argentina”, afirmou o padre Guillermo Ortiz à Rádio Vaticano.
Ortiz tem relação próxima com Francisco. Eles se conhecem desde 1977. Em Buenos Aires, antes de ser Papa, o religioso era conselheiro espiritual do padre que é responsável pelos programas de língua espanhola da rádio.
O padre alemão Bernd Hagenkord fez questão de lembrar que Bento XVI não é um grande torcedor de futebol, ao contrário de Francisco. Ele acredita que é chegado o momento para o time que goleou por 7 x 1 o Brasil. “É um tempo muito intenso para nós, alemães, porque, pela primeira vez após não sei quantos anos, chegamos à final e venceremos, obviamente (risos). Bento não é um grande torcedor de futebol. Francisco torce, mas vai dormir muito cedo, não sei se vai olhar a partida, talvez sim”, disse Hagenkord.
A verdade é que, independentemente do resultado, o Vaticano já tratou de mandar uma mensagem de paz aos torcedores. Ontem, o Conselho Pontifício da Cultura pediu que se faça um minuto de silêncio no final da Copa pela paz entre os povos. No Twitter, a campanha foi lançada com a hashtag #pausaparaapaz. “Esta pausa poderia ser no começo do jogo, na metade ou em qualquer instante”, afirmou o membro do Pontifício Conselho para a Cultura, Richard Rouse.
TOMA LÁ, DÁ CÁ
Padre Ortiz: “Eu acho que a Alemanha tem um pouco de medo (risos), porque nós somos famosos pelo futebol e temos jogadores muito bons!”.
Padre Hagenkord: “Trabalhamos praticamente ao lado, no mesmo andar (Padre Ortiz)….existe um pouco de tensão,mas muito amigável! É um tempo muito intenso para, nós, alemães, porque pela primeira vez, após não sei quantos anos, chegamos na final e venceremos, obviamente (risos)!”.
Padre Ortiz: “Francisco não olha TV, não tem TV no seu apartamento, mas Bento XVI, sim. Bento, talvez, o convidará para olhar a partida (risos) e talvez, ao invés de olhar a partida, irão à capela rezar, um pela Alemanha e outro pela Argentina!”.
Padre Hagenkord: "Bento não é um grande torcedor de futebol. Francisco torce, mas vai dormir muito cedo, não sei se vai olhar a partida, talvez sim...”.
Padre Ortiz: "Francisco está muito preocupado com a Argentina, onde existe uma situação social e econômica muito particular, onde existe tanta gente que sofre muito. Eu penso que Francisco não deseja que isso seja uma distração... É importante mostrar que nós somos bons, que chegamos à final e mesmo que a Copa fique conosco ou com outro, é só um jogo.Agora devemos mostrar que somos bons e que devemos superar os problemas com a fraternidade, com o encontro, com o diálogo e a busca do bem comum para todos”.
Padre Ortiz: "O esporte mostra a fraternidade, une. Esta será uma partida que mostrará o melhor de cada um, mas para unir, não para de enfrentar de modo ruim”.
Padre Hagenkord: “O futebol une … Mas depois que tivermos vencido (risos) haverá um pouco de tensão. Mas depois se entenderá melhor que este esporte une mais que separa. Mas final é final! Será uma belíssima partida!”.