Ativistas presos em operação são transferidos para o Complexo de Bangu

Grupo foi preso no sábado, dia 12, suspeito de atos de vandalismo durante manifestações

Por O Dia

Rio - Os 19 ativistas presos neste sábado durante operação da Polícia Civil foram transferidos na tarde deste domingo para o Complexo de Bangu. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária, as mulheres do grupo serão levadas para a penitenciária Joaquim Ferreira de Souza; já os do sexo masculino serão levados para o presídio José Frederico Marques.

A Polícia Civil prendeu 17 pessoas que teriam participado de atos de violência durante manifestações na cidade. Outras nove permanecem foragidas. Os policiais também prenderam duas pessoas em flagrante delito, além de aprenderem dois adolescentes. 

As prisões são resultado da operação ‘Firewall 2’, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Entre os detidos, está Elisa Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, apontada pela delegada Renata Araújo como líder da Frente Independente Popular do Rio de Janeiro — entidade que, ainda de acordo com a delegada, centralizava o planejamento dos atos de vandalismo.

A operação envolveu 25 delegados, além de outros 80 policiais civis. Eles cumpriram os mandados de prisão, emitidos pela 27ª Vara Criminal, em vários pontos do Estado do Rio, inclusive Búzios e Baixada Fluminense. Além das prisões, os investigadores apreenderam máscaras de proteção contra gás, joelheiras, um pouco de gasolina dentro de uma garrafa plástica, maconha, jornais e uma bandeira do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR), além de um revólver calibre 38. Segundo o chefe da Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, os detidos pretendiam cometer atos de depredação neste domingo, no dia da partida final da Copa do Mundo, entre Alemanha e Argentina.

“Estamos monitorando a ação desse grupo de pessoas desde setembro do ano passado. A prisão deles vai impedir que outros atos de violência ocorram neste domingo”, afirmou o chefe da Polícia Civil, Fernando Velloso.

O delegado Alessandro Thiers, titular da DRCI, informou que todos os presos serão indiciados no crime de formação de quadrilha armada, crime com uma pena prevista de um a três anos de reclusão.

Questionado se o material apreendido era o suficiente para configurar o delito mencionado, Thiers respondeu que a investigação feita nos últimos 10 meses sustenta as acusações, mas que não poderia entrar em detalhes porque a investigação corre sob segredo de Justiça. Sininho — que foi presa em Porto Alegre — e os outros presos ficarão detidos na Polinter da Cidade da Polícia cumprindo prisão preventiva de cinco dias.

“Temos depoimentos de integrantes da própria Frente Independente que a ligam à organização de atos de vandalismo”, disse a delegada Renata Araújo.

“Essa foi a prisão mais arbitrária e absurda que já vi. Motivada por intenções políticas e de caráter fascista. Estão cerceando o direito das pessoas se manifestarem”, comentou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcelo Chalreo.

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