Copa do Mundo: Santa Marta recebe 8 mil turistas a mais

Ranking dos guias elege colombianos e holandeses como os mais simpáticos

Por O Dia

Rio - Se a Seleção não aproveitou a Copa do Mundo no Brasil, o mesmo não se pode dizer dos moradores do Santa Marta. Hoje, quando o italiano Nicola Rizolli apitar o final do torneio, a favela vai festejar os quase dez mil turistas que subiram o morro no período. O movimento foi tanto na Copa que houve dias em que nenhum dos 11 guias credenciados esteve disponível no ponto na entrada da favela.Em média, duas mil pessoas visitam a comunidade na temporada.

Salete posa com um grupo de turistas da Inglaterra bem na entrada da favela%3A guia chegou a fazer até três tours por dia durante a CopaDivulgação


“Vendi o que tinha e o que não tinha”, conta a empreendedora e guia Andreia Miranda, de 33 anos, dona do Santa Marta Souvenir, loja de artesanatos na Laje do Michael. “Foram bolsas, camisas, almofadas e telas de artistas do morro. Vendi até o que ainda iria fazer. O morro bombou!”

A invasão estimulou uma brincadeira: quem conquistou a Copa da simpatia. O DIA pediu aos guias que fizessem um ranking com os cinco mais alegres. Holandeses e colombianos, em todas as listas, levaram a taça. “Os colombianos são muito parecidos com a gente. Adoram uma festa”, conta a guia Salete Martins, 45, do Favela Santa Marta Turismo.

Foi ela quem levou a seleção da Holanda morro acima. “Eles foram demais”. Em terceiro lugar ficaram os franceses. Russos e ingleses dividiram o posto de ‘malas’.

O cansaço com a maratona não impediu Salete de se emocionar com um casal de sul-africanos. “Recebi um e-mail deles que me deixou orgulhosa de minha profissão” conta ela.

Também guia e dono do único hostel da favela — o Casa dos Relógios — Gílson Fumaça, 33, levou na boa as ‘zoações’ de argentinos — em sua casa há um grupo de ‘hermanos’ que promete azucriná-lo caso Messi erga a taça hoje. “Eles são gente boa, assim como os israelenses. Mas adorei uns chilenos que vivem nos Estados Unidos. Eles jogaram bola, soltaram pipa... Foi show.”

ATÉ QUANDO?

Bondinho, a dor de cabeça

O sucesso com os turistas no Mundial não escondeu problemas que insistem em atrapalhar o dia a dia da favela. As constantes paralisações do bondinho foram o lado negro.

Por causa disso, a coleta de lixo ficou prejudicada. “A Copa nos encheu de orgulho, porque ficamos conhecidos no mundo todo. Mas precisamos resolver esta questão do Plano Inclinado”, reclama Zé Mário Hilário, presidente da Associação de Moradores.

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