Corrida a partir de hoje é para concluir obras para realização dos Jogos de 2016

Fotos projetadas de como ficarão os complexos e equipamentos esportivos encantam. Mas os atrasos continuam sendo a maior preocupação das autoridades

Por O Dia

Rio - Bola pra frente. A Copa é praticamente passado. Agora, as atenções se voltam para a Olimpíada de 2016 no Rio. No papel, as fotos projetadas de como ficarão os complexos e equipamentos esportivos encantam. Mas os atrasos nos preparativos, como ocorreu com o Mundial, continuam sendo a maior preocupação das autoridades. 

Projeção de como ficará o Parque Olímpico da Barra%2C previsto para ser entregue no segundo trimestre de 2015%2C mas ainda na primeira faseDivulgação


Elas preveem gastos maiores do que os R$ 36,7 bilhões — soma dos últimos números apresentados pelos governos municipal, estadual e federal, e que já se aproximam do que Londres gastou em 2012: R$ 40,8 bilhões. Do total a ser investido, 65% serão voltados às obras de legado para a cidade.

Segundo o general Fernando Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), que integra órgãos públicos responsáveis pela organização, novos valores serão apresentados este mês. “Certamente, o orçamento vai subir. Uma coisa é previsão inicial, mas a matriz (de Responsabilidades, documento divulgado em janeiro pela APO, com as obrigações governamentais e do setor privado nos projetos) é dinâmica, na medida que vai alcançando níveis de maturidade”, ressalta.

Azevedo e Silva admite que haverá uma corrida de obstáculos pela frente, mas garante que está otimista com relação a prazos, cobrados várias vezes pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). “Há concentração de esforços em todos os setores. A infraestrutura para as instalações esportivas e não esportivas e o treinamento dos competidores olímpicos estão dentro do cronograma. O coração da Olimpíada está encaminhado”, diz.

Ele se refere principalmente aos vizinhos Parque Olímpico e dos Atletas e à Vila dos Atletas, na Barra da Tijuca, cujas obras estão, em sua maior parte, ainda subterrâneas, na fase de fundações, terraplenagem, instalação de tubulações de redes de esgoto, telecomunicações e energia. Já no Complexo Esportivo de Deodoro, que vai receber 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas, as obras, que vão custar R$ 800,8 milhões ao Ministério do Esporte, só foram iniciadas no dia 3 deste mês. “É o que ainda mais nos preocupa. Vamos ter que agilizar”, diz o general.

De acordo com o presidente da APO, o sucesso de eventos como as Copas do Mundo e das Confederações, a Rio-92 e os Jogos Militares, faz aumentar a confiança dos organizadores para a Rio-2016. “Mas também eleva nosso grau de responsabilidade, pois sabemos que não se pode perder mais tempo, com nada”, diz.

Fernando Azevedo e Silva acredita que não haverá manifestações violentas nos Jogos. “Protestos são legítimos. Vandalismo, não. A maioria do povo vai continuar respeitando o esporte.”

Desafio de despoluir a Baía

A poluição da Baía de Guanabara preocupa por colocar em risco a prova de vela na Olimpíada de 2016. O general Fernando Azevedo e Silva não acredita totalmente na previsão de despoluição de 80% da Baía em menos de dois anos, feita pela Secretaria de Estado do Ambiente.

Ele afirma que acho muito difícil o cumprimento da meta. “Tenho acompanhado ações que vão amenizar bastante o quadro e proporcionar a prática de atividades aquáticas na Baía”, afirma.

O general não fala, por enquanto, em um plano B, como levar a competição de vela olímpica para Búzios, na Região dos Lagos, como defendem alguns atletas. Um deles é o pentacampeão sul-americano Lars Grael, de 50 anos, dono de duas medalhas olímpicas.

Já o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, está fechado há cerca de um ano e com o trabalho de reforma atrasado em seis meses.

COMPLEXO DE DEODORO

PRIMEIRA FASE
Iniciadas pela prefeitura, abrangerá áreas comuns e de circulação do futuro Parque Radical e edificações de apoio, com infraestrutura, preparo de canteiros e limpeza do terreno. Na sequência, começam as obras da Arena Deodoro e a reforma do Centro de Tiro.

CENTRO DE HIPISMO
Até agosto, começam as obras da Região Sul: o Centro Nacional de Hipismo, para equitação, saltos e adestramento. O responsável é o consórcio Ibeg Engenharia e Construções Ltda, com proposta no valor de R$ 157.132.192,92.

ADEQUAÇÕES
O Centro de Tiro — onde há sete estandes — passará por adequação. Será construído um estande temporário para as finais com dois mil lugares.

REFORMA
A piscina do pentatlo moderno será reformada e terá uma arquibancada com dois mil assentos temporários.

HÓQUEI
O Centro de Hóquei Sobre Grama ficará instalado em duas quadras que serão adaptadas. Elas terão vestiários, arquibancada com 2,4 mil lugares na quadra principal e 12,5 mil temporários nos jogos.

NOVAS ÁREAS
A Arena Deodoro terá cinco mil lugares, sendo dois mil permanentes e três mil temporários. Na pista de BMX, serão 7,5 mil lugares temporários e no circuito de canoagem slalom, 8,5 mil temporários.

PROVISÓRIAS
A pista de mountain bike terá 25 mil e a arena de rúgbi e combinado do pentatlo moderno, 15 mil lugares.

* Deverão ser entregues no primeiro semestre de 2015.

Últimas de Rio De Janeiro