Hermanos: os donos do Rio e do Maracanã

Argentinos abriram e fecham o templo carioca do futebol na Copa e lotam a cidade. Alemães já comemoram

Por O Dia

Rio - Em poucas horas, o mundo saberá quem é o dono da taça da Copa do Mundo 2014. No Maracanã, duas seleções tradicionais se enfrentam. Do lado de fora, a disputa entre as torcidas é acirrada.

Torcedores argentinos acampados no Sambódromo cozinham Sandro Vox / Agência O Dia


Mas no Riohá um tom azul e branco que não vem do céu, nem do mar. São as camisas e bandeiras argentinas. A festa dos hermanos é tão contagiante que faz brasileiros esquecerem a velha rivalidade entre os países em campo. O Cristo Redentor ficou com iluminação especial que oscilava nas cores das duas bandeiras.

Devido à grande quantidade de argentinos chegando à cidade, a prefeitura abriu dois estacionamentos do Pavilhão de São Cristóvão para eles. O mesmo já foi feito no Terreirão do Samba e no Sambódromo. À tarde, todas as vagas estavam ocupadas. Muitos hermanos instalaram barracas e improvisaram as refeições.

De família de Tucumán, no noroeste argentino, mas que mora em Curitiba (PR), vem um sonho de quase 30 anos sem título. Roxana Tale, de 43 anos, e Miguel Tale eram jovens namorados quando viram pela última vez a seleção nacional numa final, em 1990.

Ao chegar ao Rio ontem, os dois não escondiam a felicidade, agora compartilhada com três filhos nas areias de Copacabana. “Nem temos ingressos. Viemos para ficar perto e sentir a emoção que é estar aqui no palco da final”, contou Roxana.

O marido, ainda mais animado, diz que os exames cardíacos estão em dia depois dos jogos. “Depois do último pênalti na semifinal, eu me atirei no sofá”, disse Tale.

Ao olhar os carros de argentinos estacionados em frente à praia, o alemão Matheus Lothard Gerten, 53 anos, lembrou que viveu situação semelhante na Copa do Mundo de 1990. Quando a Itália perdeu a semifinal, ele decidiu pegar o carro na fronteira com a Holanda e dirigir 15 horas até Roma, local da decisão. Segundo Gerten, muitos italianos vendiam seus ingressos, e ele conseguiu o seu duas horas antes do jogo. “Ainda deu tempo de tomar uma cerveja”, recordou, rindo da situação, e garantindo que a taça vai para a Europa, com placar de 4 a 1.

Outro alemão, Stefan Lang, 35, concorda. Viajando o mundo há um ano em seu período sabático, garante que voltará com o título. Para isso, conta com a torcida brasileira e a rivalidade com os vizinhos. “Eu adoro o Brasil. Se a Alemanha jogar sem medo, a taça será nossa”, prevê o torcedor. Vão mesmo precisar de ajuda local. De acordo com os consulados, enquanto seis mil alemães estão no Rio, são esperados mais de 100 mil argentinos.

AVENTURA

Carrão vira casa por um mês para amigas que vieram da Patagônia

As amigas argentinas Mariana Montaldo, 33 anos, Sofia Walsh, 30, e Mariana Espil, 32, se garantem como fortes candidatas a melhor torcida argentina. Dirigindo um furgão por quase quatro dias da Patagônia até o Rio, elas chegaram no dia 12 de junho. Dentro do carro, as três carregam tudo o que precisam. De noite, uma cama é improvisada em cima da mesa. Ao amanhecer, vira peça de cozinha. O banho um dia é na praia e outro, na rodoviária.

“Queríamos muito estar perto dos jogos da Copa, mesmo sem ingressos. Planejamos a viagem desde o ano passado sem acreditar muito se a Argentina conseguiria chegar até a final”, afirmou Mariana Montaldo. Para ela, o time de Messi vence por 2 a 0.

Em Copacabana, Isabela Schneider Hidalgo, 29, tem o coração dividido entre Alemanha, onde nasceu, e Argentina, onde cresceu. Para piorar, o marido é alemão e o pai mora em Buenos Aires. “Se a Alemanha ganhar, vou ficar feliz por eles.”

Colaborou: Amanda Raiter

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