Após um ano, a pergunta permanece: Onde está Amarildo?

Ajudante de pedreiro sumiu na noite de 14 de julho de 2013 após ser pego por PMs

Por O Dia

Rio - As buscas ao corpo do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, de 43 anos, encerradas no fim do ano passado pela Divisão de Homicídios (DH), só serão retomados se surgir nova denúncia que leve ao possível paradeiro. Nesta segunda-feira, completou um ano do desaparecimento. No dia 14 de julho de 2013, ele foi pego por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha próximo à sua casa e nunca mais apareceu.

As investigações concluíram que Amarildo foi torturado até a morte. O sumiço do morador da favela gerou protestos pelo país e uma pergunta que, um ano depois, continua sem resposta: onde está Amarildo?

Amarildo%3A 25 policiais respondem pelo crime%3B 12 estão na cadeiaReprodução

Morte presumida

A delegada Ellen Souto, chefe do setor de busca e paradeiro da DH, lembrou que o inquérito foi concluído com o indiciamento de 25 policiais. Eles são réus no processo criminal, que já colocou atrás das grades 12 PMs (13 respondem em liberdade). Segundo Ellen, nenhum deles colaborou ao longo das investigações ou durante o processo. “A busca na Rocinha foi exaurida e não recebemos mais nenhuma informação. A partir de agora só eles (réus) podem dizer onde está o corpo”, afirmou.

Ellen Souto lembra que mesmo sem localizar os restos mortais, os policiais envolvidos vão responder pelo crime de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver, fraude processual e formação de quadrilha. Entre eles, o major Edson Santos, então comandante da unidade.

Após seis meses de buscas, a Justiça concedeu o atestado de morte presumida que substitui o atestado de óbito, quando o corpo não é localizado. Mesmo sem desfecho para o caso, a família de Amarildo ainda espera poder dar um enterro digno ao ajudante de pedreiro. Os filhos continuam morando na Rocinha, mas numa casa maior comprada com dinheiro arrecadado em leilão promovido por artistas.

Na semana passada, a viúva de Amarildo, Elisabete Gomes da Silva, que tem problemas com bebida, ficou desaparecida por dez dias até ser localizada em Cabo Frio, na Região dos Lagos.

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