Máfia dos ingressos: Empresário teria lucro de R$ 1 milhão com as entradas

Alexandre Marino é apontado como o principal articulador da máfia que fazia vendas irregulares na Copa. ‘Tubarão’ da Fifa se apresentou segunda-feira à Justiça

Por O Dia

Rio - O empresário Alexandre Marino Vieira, denunciado pelo Ministério Público como o principal articulador da máfia dos ingressos, pretendia lucrar R$ 1 milhão com o repasse ilegal de entradas na Copa do Mundo. Já o inglês Raymond Whelan, ex-diretor executivo da Match Services, empresa ligada à Fifa com exclusividade na venda de entradas, se entregou na tarde de segunda-feira ao Tribunal de Justiça após passar quatro dias como foragido.

Escuta telefônica obtida pelo DIA flagrou uma conversa entre Marino e seu irmão em meio às oitavas de final do Mundial. O empresário, que vivia numa casa simples em Rocha Miranda, revelou que planejava ter faturamento milionário na fase final da competição.

Raymond Whelan estava foragido há quatro dias e se entregou na segunda-feiraReprodução Vídeo

Em outro grampo, registrado às 15h24 do dia 24 de junho, ele disse à mulher que precisaria pagar propina à polícia. “Eu falei que fiz uma proposta pra ele (policial). Juntar um grupinho pra dar um dinheirinho, pra melhorar pra mim. Não quis devolver (os bilhetes apreendidos). Cancela aí esses ingressos”, disse.

Horas antes, Marino havia combinado que pagaria R$ 50 mil aos agentes da 18ª DP (Praça da Bandeira), responsáveis pela investigação da quadrilha. Em meio à tentativa de suborno, flagrada em vídeo feito por uma câmera escondida, o empresário chegou a oferecer o dobro do valor para que os investigadores revelassem quem era o integrante da quadrilha que teria entregado o esquema à polícia.

Incomodado com a investigação, Marino chegou a revelar, em outra conversa pelo telefone, que pretendia se mudar para Fortaleza, onde poderia agir livremente, sem a interferência de policiais.

O empresário, que oferecia ingressos pelo Facebook, tem outras quatro anotações criminais. Três delas por crimes contra a economia popular (cambismo). Em outra ocorrência, foi indiciado por favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual em 2007 e 2009.

A empresa Match emitiu nota explicando que todas as vendas de ingresso efetuadas por ela seguiram “os rígidos procedimentos de segurança determinados pela Fifa”. Se dispõe a ajudar nas investigações.

Outro inglês está na mira da polícia

Além de Raymond Whelan, outro inglês, Roger Anthony Leigh, também é apontado pela investigação da 18ªDP como um dos fornecedores de ingressos ao grupo chefiado pelo francês de origem argelina Mohamadou Lamine Fofana.

Escutas divulgadas pelo DIA no último sábado revelaram um diálogo entre os dois, registrado às 21h42 do dia 17 de junho. Na conversa, Lamine Fofana demonstrava preocupação com o pagamento de uma dívida de US$ 10 mil com o inglês. “Eu não quero perder dinheiro, eu não quero perder amizade (...). Se eu não te respondi é porque estava com problema para resolver (...). Às oito e meia da manhã, estarei no Copacabana Palace”, prometeu.

Roger e o inglês Desmond John Lacon foram presos por cambismo na madrugada de 22 de junho, no Copacabana Palace. Acabaram soltos quatro dias depois, beneficiados por um pedido de liberdade provisória feito pelo advogado Fernando Fernandes, o mesmo que representa Raymond Whelan.

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