Ex-traficante Polegar é posto em liberdade

Líder do Afroreggae diz que vai criar projeto personalizado para o ex-chefe do tráfico

Por O Dia

Ex-traficante Polegar ganha liberdade e afirma que não quer mais voltar para o crimeAlexandre Vieira / Agência O Dia

Rio - Depois de 17 anos cumprindo pena por envolvimento com o tráfico de drogas, Alexander Mendes da Silva, o Polegar, foi posto em liberdade ontem. Aos 40 anos, o ex-chefe do tráfico no Morro da Mangueira deixou o presídio de Bangu I por volta do meio-dia e foi direto para a sede do Afroreggae, onde foi recebido pelo fundador do projeto, José Júnior. Polegar garante que abandonou o crime.

“Quando entrei para o crime era muito novo, não tinha noção do futuro. Não poder levar meus filhos no colégio, só dentro do cárcere e procurado quando estava na rua... tirei a pena todinha, decidi que, desta vez, não dá mais para mim”, afirmou ele.

Há pouco tempo, Polegar era um dos pilares do tráfico no Rio, junto com FB, Matemático e Pezão. De acordo com informações do Disque-Denúncia, além do envolvimento com o comércio de entorpecentes, ele foi denunciado por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro em quatro varas criminais, entre 1994 e 2002.

Em 2009, Polegar obteve o benefício do regime aberto, após cumprir um sexto da pena, e fugiu. Só foi recapturado no Paraguai, em 2011. Antes disso, se escondia no Complexo do Alemão, mas durante operação de retomada do morro, em dezembro de 2010, escapou novamente.

Desconfiado, porém com o olhar altivo, Polegar diz que cansou dos constragimentos acarretados pela vida como criminoso. “É triste. (Presídio) Federal você usa uniforme igual, não listradinho, mas numerado. Ali, mexe muito com o psicológico. Quem é ruim, fica mais ruim. E quem está pensando em mudar, muda”, avaliou.

Polegar disse que apenas comunicou a saída aos ex-companheiros do crime e teme represálias tanto dos ex-colegas quanto da polícia. “Ele está largando o crime em um momento difícil. Vai estar aqui conosco, mas não quero que venha ao escritório todo dia. É mais um problema de segurança que vou ter. Estamos pensando em um projeto quase que customizado para ele trabalhar”, explicou José Júnior, líder do Afroreggae.

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