Polícia começa a rastrear destino de R$ 160 milhões da máfia dos cambistas

Quinta-feira é dia crucial para as investigações. Rastreamento será feito em computadores e celulares apreendidos

Por O Dia

Rio - A polícia considera esta quinta-feira crucial para as investigações sobre a máfia dos cambistas na Copa do Mundo. O delegado titular da 18ª DP, Fábio Baruck, vai ao Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil com o objetivo de iniciar o rastreamento — em computadores e celulares apreendidos — dos cerca de R$ 160 milhões obtidos com vendas ilegais de ingressos.

Também nesta quinta, um torcedor, morador da Zona Sul, vai contar aos investigadores que tentou comprar legalmente ingresso em 25 de maio e que a Match Service, empresa responsável pela venda e suspeita de participação no esquema, disse que não havia mais entradas.

Raymond Whelan, diretor-executivo da Fifa, está preso em BanguOsvaldo Praddo / Agência O Dia

“Isso prova que os ingressos estavam nas mãos dos cambistas. E que Raymond Whelan, diretor-executivo da empresa, participava, facilitando a compra por preços acima do impresso no bilhete. Quanto ao laboratório, queremos saber para quem foram destinados os recursos obtidos com o esquema dentro do Brasil. Ou até mesmo se deixaram ilegalmente o país”, explicou Baruck.

Raymond foi preso na segunda-feira e segue no Complexo Penitenciário de Bangu. Ontem, a Justiça negou habeas corpus para ele.

Baruck juntou ontem ao novo inquérito instaurado as investigações da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat), que prendeu dois ingleses com 200 ingressos no Hotel Copacabana Palace — sede da cúpula da Fifa na Copa — no dia 19 de junho. Dez dias depois da prisão de Roger Leigh e Desmond John Lacon, o cambista argelino Lamine Fofana, apontado como operador do esquema também foi preso. Os nomes dos ingleses, que estão em liberdade por determinação da Justiça e podem ter fugido do Brasil, aparecem no caderno de contabilidade dos ingressos vendidos ilegalmente por Fofana.

“Além dos dois ingleses, estamos identificando mais sete pessoas que poderão ser presas a qualquer momento”, antecipou Baruck. Hoje ele se reúne com o promotor do Ministério Público responsável pelo caso, Marcos Kac, para planejar os próximos passos.

Advogado também será denunciado

O advogado Fernando Fernandes não compareceu ontem para depor na 18ª DP (Praça da Bandeira) e será denunciado à Justiça por favorecimento pessoal, ao ser flagrado por câmeras conduzindo Raymond Whelan pelos corredores do Copacabana Palace no momento da fuga do “Tubarão da Fifa”.

Fernandes — que poderá também ser punido pela Ordem dos Advogados do Brasil, inclusive com a perda da carteira — entrou ontem com um habeas corpus preventivo para garantir que não prestaria declarações no inquérito. O delegado Fábio Baruck achou a medida judicial inócua.

“Todos têm o direito de não se pronunciarem, a não ser em Juízo. Não havia a menor necessidade desse habeas corpus, pois o direito de se manter calado é garantido por Lei”, explicou Baruck.

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