Polícia vê ligação do tráfico com quadrilha de clonagem de carros

Delegado titular da DRFA afirma que lucro dos roubos de automóveis era dividido com traficantes

Por O Dia

Rio - O delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Marcus Vinícius Braga, afirmou nesta quinta-feira, na Cidade da Polícia, que traficantes têm ligações com a quadrilha de desmanche de veículos desarticulada na quarta-feira. Ele disse que os bandidos atuavam na Baixada Fluminense e no Rio, principalmente na Favela da Coreia e Vila Aliança, na Zona Oeste, e agiam de forma bastante violenta.

A investigação para desarticular a maior quadrilha de clonagem de carro do estado durou três meses. Treze pessoas foram presas e cinco seguem foragidosSeverino Silva / Agência O Dia

"É a maior e a mais violenta de roubos de carros que atuava na capital e Baixada Fluminense. Eles tinham a divisão de tarefas e funções bem definidas. Eles tinham roubadores que eram a base da quadrilha, eram os mais violentos, abordando as vítimas com pistolas e fuzis, que eram emprestados pelo tráfico. O lucro da quadrilha era dividido em 50% com o tráfico. É impossível roubar numa favela sem autorização do tráfico".

Materiais apreendidos com os criminosos%2C entre eles uma serra utilizada para cortar os veículosSeverino Silva / Agência O Dia

O delegado afirmou que os automóveis clonados eram negociados em feiras de carros usados e as peças eram vendidas em ferros velhos clandestinos, que muitas vezes "encomendavam" os roubos. Além disso, não havia uma marca ou modelo de preferência. Ele também não descarta o envolvimento de agentes públicos do Detran envolvidos no esquema.

Foram cumpridos 13 mandados de prisão e há cinco suspeitos foragidos. Entre os presos estão Mário Lucio de Souza, o Pará, que é responsável pela clonagem dos carros, e Eduardo Rômulo dos Santos Valentim, também conhecido como Pará, esse responsável pelos desmanches. Mário Lucio atuava no roubo de carros há 15 anos e não tinha passagem pela polícia. Todos serão indiciados por associação criminosa e podem pegar de três a oito anos de prisão. Peças de carro, além de uma serra elétrica, foram apreendidas pelos policiais. Segundo o delegado assistente, Geovan Omena, o automóvel era cortado de 15 a 20 minutos com essa serra.

Policiais apreenderam documentos em branco do Detran. O delegado da DRFA acredita que funcionários da empresa podem ter ligações com a quadrilhaSeverino Silva / Agência O Dia

Na DRFA, cerca de 150 a 200 casos de clonagem de automóveis são registrados por mês e 90% dos casos acontecem na Baixada Fluminense. O delegado Marcus Vinícius aposta que a desarticulação da quadrilha fará com que esses números caiam. "A quadrilha roubava 300 carros por mês, ou seja, uma média de dez por dia. A sociedade vai sentir o impacto positivo, pois o roubo de carro vai diminuir", garante.

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