Romário ‘esconde’ seus colegas de chapa Lindberg Farias e Eduardo Campos

Nas últimas pesquisas de intenção de voto para o Senado, Romário aparecia atrás apenas do Sergio Cabral.

Por O Dia

Rio - Romário defende, arma jogada e marca gol, aliás, sua especialidade. Paciência para Lindberg Farias (PT), candidato ao governo do estado, e Eduardo Campos, presidenciável do PSB, seu partido — ambos deixados de fora do material de campanha do ex-jogador. Para o deputado federal, candidato ao Senado, ele se basta.

Na única agenda comum — uma caminhada no início da campanha, em 6 de julho, na Feira de São Cristóvão — sua equipe deu um jeito de limar Lindberg das fotos postadas no perfil nas redes sociais. Cortaram-lhe a cabeça. Já no corpo a corpo solo, Romário distribui panfleto em que, não só aparece sozinho, como reorganiza a ordem dos partidos da coligação Frente Popular, da qual pertence. Em vez de PT, PV, PSB e PC do B, como registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), aparecem PSB, PV, PT e PC do B. Os dois últimos, alvos frequentes de críticas de Romário.

Romário foi à Feira de São Cristóvão com Lindberg e postou as fotos no Facebook. Mais tarde apagou o petistaDivulgação

“Seu voo é solo”, diz um alto dirigente do PSB. A opinião é partilhada discretamente pelo presidente regional do partido, o deputado federal Glauber Braga, para quem o ‘Baixinho’ “é mais independente”.
Glauber se refere à crítica do colega de partido à presidenta Dilma Rousseff, acusada, por ele, de ter dado ministérios para “políticos roubarem”.

Jogadas as palavras no ar, restou ao presidente do PT no Rio, Washington Quaquá, correr atrás do prejuízo. Hoje, ele se encontra com Romário para “afinar os discursos”. “São declarações ruins para quem quer ser um senador da República”, lamentou ao DIA o coordenador da campanha de Lindberg. “Vou propor um pacto de não agressão”, antecipa.

Eleito com 146.859 votos para a Câmara, o deputado foi cortejado por Eduardo Campos, em 2013, depois que deixou o partido brigado com Alexandre Cardoso, então presidente do PSB e seu padrinho. No fim, saiu Alexandre, voltou Romário. “Todos sabem como ele é e já sabiam, quando foi fechada a aliança”, argumenta Glauber.

Procurada, a assessoria de imprensa de Romário preferiu não comentar a edição das fotos de Lindberg. Afirmou, porém, que “nos próximos materiais virão os candidatos ao governo do estado e à Presidência da República”.

Nas últimas pesquisas de intenção de voto para o Senado, Romário aparecia atrás apenas do Sergio Cabral.

ESTILO

O estilo ‘marrento’ do candidato ao Senado contraria colegas de partido. “Ele é partidário dele mesmo, não respeita hierarquia. Se reporta direto a Eduardo Campos”, revela um membro do Diretório Estadual do PSB.

Segundo O DIA apurou, Campos precisa de um palanque forte no estado e, com a aprovação de Romário, acaba cedendo às suas vontades. “Ele não procura o presidente Glauber, com quem tem até bom relacionamento. Romário só trata com Eduardo”, reclama outro.

Mas ele já aprendeu que nem tudo são flores. Mesmo contrariado, teve de se aliar ao PT no estado para conseguir concorrer ao Senado. Engoliu. Mas não se calou. “Jamais subirei no palanque de Dilma nem do PT Nacional. Se lá estiver, é porque estarei louco, com camisa de força”, disparou na época, desculpando-se com o seu leitorado.

Últimas de Rio De Janeiro