Advogada ativista pede asilo ao Consulado do Uruguai

Eloísa Samy está entre os 23 acusados de participar de protestos violentos e é considerada foragida da Justiça

Por O Dia

Rio - A advogada Eloísa Samy, acusada de atos violentos em protestos, está no Consulado-Geral do Uruguai, no Rio de Janeiro, para pedir asilo político ao país vizinho. Investigada pela Operação Firewall, da Polícia Civil, ela está entre os 23 ativistas que tiveram prisão preventiva decretada, por associação criminosa, pela 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (18). Eloísa é considerada foragida da Justiça, ao lado de mais 17 acusados.

A informação foi divulgada pelo Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), organização não governamental da qual Eloísa Samy faz parte. Segundo o DDH, o objetivo da advogada é conseguir o asilo para defender-se, em liberdade, das acusações que são feitas pelo Ministério Público.

Advogada Eloísa Samy deu entrada no pedido de asilo no consulado do Uruguai. Ativista é acusada de participar de protestos violentos e é considerada foragida Efe

O advogado Marcerlo Mondego está no consulado ao lado de Eloísa para acompanhar o pedido de asilo. "A Eloísa veio para cá no desespero, ela está muito nervosa. E pede apoio do consulado. No momento, ela já conversou com a cônsul. Elas estão organizando documentos, para enviar o pedido à Brasília".

Eloísa chegou por volta das 8h, com uma mochila de roupa. Ela está acompanhada de David Paixão, que completou 18 anos recentemente. Eles se conheceram durante uma manifestação e a advogada é a responsável legal dele desde o ano passado.

O nome de David é citado no inquérito, mas ele não não havia sido denunciado por ser menor de idade até pouco tempo. Eloísa apede o asilo para ela, David e a namorada dele, Camila Nascimento.

Policiais militares e agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) estão cercando a área do Consulado Geral do Uruguai, na Zona sul do Rio. Como o local é considerado território uruguaio, a entrada deles não é permitida. Porém, se Eloísa sair do prédio, a polícia afirma que ela será presa. 

Justiça nega habeas corpus aos acusados

Neste domingo, o plantão judiciário do Tribunal de Justiça (TJ-RJ) negou o pedido de habeas corpus para os 23 ativistas que tiveram a prisão preventiva decretada na última sexta-feira. Eles foram apontados pelo Ministério Público como responsáveis por promoverem violentas manifestações nas ruas do Rio durante os protestos que começaram no segundo semestre do ano passado.

A denúncia do MP contra 23 ativistas atribui a eles a confecção de explosivos usados nos protestos. De acordo com o promotor Luís Otávio Figueira Lopes, que assina o documento, o objetivo do grupo era disparar os artefatos em direção a agentes de segurança.

“As atribuições de tal grupo incluem o planejamento dos atos violentos, bem como a preparação de coquetéis molotov, artefatos explosivos, além de fogos de artifício alterados para adquirirem potencial lesivo, como, por exemplo, com a colocação de pregos em morteiros, posteriormente disparados em direção aos agentes de segurança pública”, diz o texto.

O documento aponta ainda a existência de sete grupos de ativistas, todos comandados pela Frente Independente Popular (FIP), liderada por Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, que permanece presa.

De acordo com a denúncia, Sininho teria ainda cogitado o nome de Fábio Raposo Barbosa para assumir cargo de liderança no grupo. Denunciado pelo MP, Fábio está preso como coautor da morte do cinegrafista Santiago Ilídio de Andrade, da Band, atingido por um explosivo durante manifestação em fevereiro no Centro.

Consta ainda nos autos que um adolescente teria confirmado a intenção de matar um policial durante atos contra a Copa do Mundo. Uma testemunha ouvida no inquérito também teria visto Sininho incentivando manifestantes a levarem gasolina para atear fogo na Câmara de Vereadores, o que não chegou a acontecer.

O MP concluiu que o objetivo de um único comando seria a definição de uma linha de atuação para os diversos grupos e indivíduos envolvidos nos protestos.

“A existência de um comando centralizado e a convergência de desígnios existentes entre os integrantes das diversas estruturas orgânicas permitem o reconhecimento da associação entre todos, ainda que de forma compartimentalizada”, diz o texto.

Segundo o MP, a FIP tinha estrutura de organização e se reunia de duas maneiras: em reuniões públicas e encontros fechados dos quais participavam apenas as lideranças. Numa dessas reuniões foi definido que deveria ser incentivada a prática de ações violentas nas manifestações.

Acusada de liderar ações, Sininho teria cogitado o nome de Fábio Raposo, preso como coautor da morte do cinegrafista Santiago Andrade, para chefiar grupoJosé Pedro Monteiro e Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Os 23 ativistas foram denunciados por associação criminosa, dano qualificado, resistência, lesões corporais, posse de artefato explosivo e corrupção de menores, e tiveram a prisão preventiva decretada sexta-feira. Até neste domingo, 18 permaneciam foragidos.

Procurado pelo DIA, neste domingo, o advogado de Sininho, Marino D'Icarahy, estava com o celular desligado.

Promotor detalha ação de lideranças

Segundo o promotor Luís Otávio, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça flagraram Camila Jourdan no trabalho de elaboração dos artefatos dados a black blocs. Bombas caseiras foram apreendidas na casa dela. Apontada como uma das lideranças dos ativistas, Camila está presa.

De acordo com o MP, os outros manifestantes eram responsáveis por distribuir os explosivos e jogá-los contra policiais, muitas vezes disparando-os de dentro de veículos e fugindo. Um dos carros usados era de Rebeca Martins de Souza, que está presa. A prática de atos de depredação do patrimônio público e privado também seria atribuição deles.

Entre as presas, está ainda a advogada Eloísa Samy Santiago. Segundo o MP, ela incitava a violência nos atos, além de ceder a casa para as reuniões dos grupos. O adolescente que teria revelado a vontade de matar um policial faria parte do Movimento Estudantil Popular Revolucionário, o grupo mais violento identificado nas investigações.

Com informações da Agência Brasil

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