Por adriano.araujo

RIo - Quando a auxiliar de serviços gerais Jandiara Ferreira, de 35 anos, viu a filha, de 14, receber mensagens de um bombeiro de São Paulo por meio de uma rede social, ela teve a certeza de que o monitoramento das conversas da jovem Jandaraína era mesmo necessário. Apesar da pouca idade, a beleza da adolescente já chama atenção até de agências de publicidade. “Sempre fico atenta no que ela está acessando e procuro ficar de olho no bate-papo”, conta Jandiara.

Ela não está sozinha. De acordo com pesquisa do Instituto Gerp encomendada pelo DIA, com 870 pessoas, 63% da população fluminense e carioca também afirmam que os pais devem vigiar o conteúdo que crianças e adolescentes acessam na internet. Além disso, 82% acham que os pais precisam limitar o horário e 75%, que o tempo máximo deve ser de duas horas diárias.

Pedro David%2C 10 anos%2C mostra com orgulho%2C entre a mãe%2C a bancária Daniella David%2C e a avó%2C Lourdes David%2C o inseparável ‘amigo’%3A um tabletJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

A região que mais se identifica com essa posição é a do município do Rio, o que evidencia o temor com a facilitação que a internet pode dar a crimes como sequestro e pedofilia, por exemplo.

Especialistas nas áreas de psicologia, educação e internet argumentam, no entanto, que, mais do que monitorar, os pais precisam aprender a dialogar com essa nova realidade. “Controle é uma coisa que, em geral, não funciona. Os resultados das pesquisas mostram que os pais que conversam com os filhos obtém resultados melhores no uso e na segurança da rede do que os pais que investem em controle do acesso”, explica Rosália Duarte, coordenadora de Produção e Gestão em Mídias e Educação da PUC-Rio.

E o diálogo precisa ser permanente. Além do monitoramento, a psicanalista Beatriz Breves, estudiosa de comportamento na rede e autora do livro ‘A maldade Humana — como detonar alguém no Facebook’, levanta o debate sobre o uso precoce das tecnologias por crianças. Para ela, muitas vezes os pais usam tablets, smartphones e computadores como babás.

“Alguma coisa está errada nas relações. A vida é tão corrida que o pai dá logo um tablet para a criança brincar e ficar quieta. Depois, o pai não sabe por que os filhos estão conectados o tempo todo. As pessoas estão assustadas com a internet e não sabem lidar com os filhos”, afirma Beatriz.

Clique na imagem e veja o infográfico completoArte O Dia

Regras da vida offline valem online

O monitoramento na internet esbarra nos limites da privacidade dos pequenos. A pesquisa Gerp aponta que apenas 25% dos pais acham que devem ter as senhas dos perfis dos filhos nas redes sociais.

Para crianças até 12 anos, a maioria dos pesquisadores ouvidos pelo DIA acredita que os pais devem mesmo fazer um acompanhamento quase que irrestrito. Comportamento adotado, por exemplo, pela administradora Ibeli Andrade, de 32, que verifica de perto o celular do filho Pedro, de 12.

“A gente deu o celular para falarmos quando ele anda sozinho ou apenas com o irmão menor. Mas ficamos atentos às conversas com os amigos do Face”, diz ela.

O assunto complica em relação aos adolescentes que, segundo os especialistas, precisam ter a privacidade respeitada, o que auxilia no amadurecimento.“Os filhos de pais com mais controle eram os que menos sabiam se proteger na rede. É preciso usá-la para se proteger dela. É como aprender a andar sozinho de ônibus”, afirma Rosália Duarte.

?Escola deve incluir novas tecnologias

?Além dos pais, o pesquisador da PUC em comportamento nas redes Raphael Zaremba alerta que as escolas têm um grande desafio, que é rever o papel do professor em sala de aula, como mediador do conhecimento.

“As escolas tendem a ter tablets e smartphones como inimigos. O professor precisa aceitar o desafio e ver que as coisas estão mudando.Ele está acostumado a ser o cara que sabe tudo e nem sempre é assim.Não há mais espaço para erro porque os alunos checam tudo na internet”, observa Zaremba.

O estudante Pedro David, de 10, concorda. Mesmo proibido de usar seu tablet na escola, ela o carrega na mochila e utiliza em casa para trabalhos da escola. “Na internet você pode saber mais. Às vezes, até mais que nos livros. Já vi professor errar”, afirma Pedro.

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