TJ nega habeas corpus a ativistas acusados de promoverem protestos violentos

Dos 23 acusados, somente cinco estão presos, entre eles Elisa Quadros, a Sininho, apontada como a líder do grupo

Por O Dia

Rio - O plantão judiciário do Tribunal de Justiça (TJ-RJ) negou no domingo, o pedido de habeas corpus para os 23 ativistas que tiveram a prisão preventiva decretada na última sexta-feira. Eles foram apontados pelo Ministério Público como responsáveis por promoverem violentas manifestações nas ruas do Rio durante os protestos que começaram no segundo semestre do ano passado.

A denúncia do MP contra 23 ativistas atribui a eles a confecção de explosivos usados nos protestos. De acordo com o promotor Luís Otávio Figueira Lopes, que assina o documento, o objetivo do grupo era disparar os artefatos em direção a agentes de segurança.

Acusada de liderar ações%2C Sininho teria cogitado o nome de Fábio Raposo%2C preso como coautor da morte do cinegrafista Santiago Andrade, para chefiar grupoJosé Pedro Monteiro e Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

“As atribuições de tal grupo incluem o planejamento dos atos violentos, bem como a preparação de coquetéis molotov, artefatos explosivos, além de fogos de artifício alterados para adquirirem potencial lesivo, como, por exemplo, com a colocação de pregos em morteiros, posteriormente disparados em direção aos agentes de segurança pública”, diz o texto.

O documento aponta ainda a existência de sete grupos de ativistas, todos comandados pela Frente Independente Popular (FIP), liderada por Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, que permanece presa.

De acordo com a denúncia, Sininho teria ainda cogitado o nome de Fábio Raposo Barbosa para assumir cargo de liderança no grupo. Denunciado pelo MP, Fábio está preso como coautor da morte do cinegrafista Santiago Ilídio de Andrade, da Band, atingido por um explosivo durante manifestação em fevereiro no Centro.

Consta ainda nos autos que um adolescente teria confirmado a intenção de matar um policial durante atos contra a Copa do Mundo. Uma testemunha ouvida no inquérito também teria visto Sininho incentivando manifestantes a levarem gasolina para atear fogo na Câmara de Vereadores, o que não chegou a acontecer.

O MP concluiu que o objetivo de um único comando seria a definição de uma linha de atuação para os diversos grupos e indivíduos envolvidos nos protestos.

“A existência de um comando centralizado e a convergência de desígnios existentes entre os integrantes das diversas estruturas orgânicas permitem o reconhecimento da associação entre todos, ainda que de forma compartimentalizada”, diz o texto.

Segundo o MP, a FIP tinha estrutura de organização e se reunia de duas maneiras: em reuniões públicas e encontros fechados dos quais participavam apenas as lideranças. Numa dessas reuniões foi definido que deveria ser incentivada a prática de ações violentas nas manifestações.

Os 23 ativistas foram denunciados por associação criminosa, dano qualificado, resistência, lesões corporais, posse de artefato explosivo e corrupção de menores, e tiveram a prisão preventiva decretada sexta-feira. Até neste domingo, 18 permaneciam foragidos.

Procurado pelo DIA, neste domingo, o advogado de Sininho, Marino D'Icarahy, estava com o celular desligado.

Promotor detalha ação de lideranças

Segundo o promotor Luís Otávio, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça flagraram Camila Jourdan no trabalho de elaboração dos artefatos dados a black blocs. Bombas caseiras foram apreendidas na casa dela. Apontada como uma das lideranças dos ativistas, Camila está presa.

De acordo com o MP, os outros manifestantes eram responsáveis por distribuir os explosivos e jogá-los contra policiais, muitas vezes disparando-os de dentro de veículos e fugindo. Um dos carros usados era de Rebeca Martins de Souza, que está presa. A prática de atos de depredação do patrimônio público e privado também seria atribuição deles.

Entre as presas, está ainda a advogada Eloísa Samy Santiago. Segundo o MP, ela incitava a violência nos atos, além de ceder a casa para as reuniões dos grupos. O adolescente que teria revelado a vontade de matar um policial faria parte do Movimento Estudantil Popular Revolucionário, o grupo mais violento identificado nas investigações.

Últimas de Rio De Janeiro