Rio - Os policiais militares Vinicius Lima Vieira e Fábio Magalhães Ferreira já estão na Divisão de Homicídios (DH) da Capital, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, onde prestarão depoimento sobre o caso do Morro do Sumaré. Acusados de levar três menores para o local e matar um deles, chegaram na tarde desta terça-feira na delegacia num camburão, com cara de assustados.
O vídeo que mostra uma viatura da PM levando os três adolescentes a um penhasco no alto do Morro do Sumaré, onde um deles apareceu morto cinco dias depois, levou a polícia a suspeitar que haja outras ossadas na área. Agentes da DH vasculharão, nos próximos dias, a região onde foi abandonado o corpo de Mateus Alves dos Santos, 14 anos, para tentar achar outras vítimas.
“Vamos fazer uma varredura, para tentar achar ossadas. Mas o mais importante é acharmos o outro garoto desaparecido”, explicou o delegado Rivaldo Barbosa, responsável pela investigação. As imagens, registradas por duas câmeras instaladas na viatura do 5º BPM (Praça da Harmonia), foram obtidas pelo ‘Fantástico’, da TV Globo.
O garoto morreu ao ser baleado na cabeça. Um adolescente de 15 anos levou um tiro no joelho e outro nas costas. Ele se fingiu de morto para escapar. Outro jovem acabou liberado pelos policiais e agora está sendo procurado pela polícia para depor.
Os PMs estão presos preventivamente na Unidade Prisional (antigo BEP), acusados por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e tentativa de homicídio qualificado. O vídeo feito pela viatura mostra quando o cabo Lima para o carro, às 9h31, para que o cabo Magalhães saia da viatura, com um fuzil.
Depois da captura de dois suspeitos e de outro adolescente, levado na viatura porque estava olhando a cena, Lima faz uma proposta ao colega de farda: “Vamos lá para cima?”. Magalhães concorda, com surpreendente naturalidade: “Descarregar a arma um pouquinho”, diz. O colega dele, então, sentencia: “Jogar (os corpos) lá de cima”. “Infelizmente, temos policiais ruins, ligados ao crime, verdadeiros bandidos. Mas a polícia que praticou essa barbárie foi a polícia que os prendeu”, disse, na segunda-feira, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.