Obras no bonde de Santa Teresa estão em marcha lenta

Governo promete trecho de 1,4 quilômetro para agosto

Por O Dia

Rio -  Reduto bucólico em pleno coração da cidade, Santa Teresa continua dividindo seu charme com cimento, ferro e caminhões por causa das intermináveis obras para colocação dos novos trilhos e infraestrutura do bondinho, parado desde agosto de 2011, quando ocorreu o acidente que matou seis pessoas. Após muitos atrasos — o ex-secretário da Casa Civil Régis Fichtner chegou a prometer a inauguração a tempo da Copa do Mundo —, o governo estadual prevê agora que o primeiro trecho, de 1,4 quilômetro, deverá ser aberto para testes dos veículos no mês que vem.

GALERIA: Obras atrasadas no bondinho de Santa Teresa

De acordo com a Secretaria Estadual da Casa Civil, do percurso a ser inaugurado — nas ruas Joaquim Murtinho (975 metros) e Francisco Muratori (450 metros) —, 1.260 metros já foram reformados com a substituição dos trilhos e troca dos sistemas subterrâneos de água, gás e drenagem.

Alguns moradores, no entanto, questionam a relevância desta parte diante da rede completa, de 17 quilômetros. Para o diretor da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), Álvaro Braga, o trecho não atenderá às necessidades dos moradores. “Será uma inauguração irrelevante para nosso cotidiano. Acredito que só teremos o nosso bonde, como queremos, em quatro anos. As obras estão muito lentas. O que são menos de 2 quilômetros para uma rede de 17 quilômetros?”, questionou.

Obras nos trilhos e da rede elétrica do bondinho de Santa Teresa estão atrasadasFabio Gonçalves / Agência O Dia

Pelas ladeiras, tanto o transtorno das obras quanto a ausência do meio de transporte mais tradicional do bairro são queixas. O vigia Natanael José Pereira, de 60 anos, avalia que o bonde é insubstituível. “Os ônibus demoram e fazem uma volta enorme, principalmente com as ruas fechadas para as obras. Com o bonde, eu fazia o trajeto do Centro a minha casa em pouco mais de cinco minutos”, disse o morador da região do Largo do Guimarães.

O tripulante de navegação Sean Reilly, de 45 anos, questiona o prazo de inauguração. “Ainda é possível ver muitos trilhos que precisam ser trocados”, comentou. Já os comerciantes reclamam que as obras atrapalham as vendas. Um deles é Zé Britto, proprietário de um restaurante no Largo dos Guimarães. “Outro dia, começou a jorrar água do meio da rua. Dá a sensação de que não conhecem o que tem sob os trilhos. Já tive clientes que falaram que só voltam depois das obras.”

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