Por paloma.savedra

Rio - Após dois anos de investigação, policiais da 76ª DP (Centro de Niterói) afirmam que desarticularam nesta quarta-feira quadrilha envolvida num esquema de extorsão a prostitutas em Niterói. Seis suspeitos foram presos em um prédio na Avenida Amaral Peixoto, onde há 92 salas que servem como prostíbulos e local de trabalho de cinco dos acusados. Um outro trabalhava como síndico do local e pediu demissão do condomínio antes de ser indiciado; ele está foragido.

De acordo com inspetores da 76ª DP, a operação Caixa II é continuação de uma ação realizada em maio deste ano, feita para identificar os tipos de estabelecimentos que funcionavam no edifício. A quadrilha chegava a faturar R$ 200 mil por mês. “Eles obrigavam os donos das salas a pagar valores por mês, mediante ameaças de agressão. Vamos prosseguir com as ações, visando acabar com os diversos crimes de exploração sexual que há no prédio”, argumentou o delegado Gláucio Paz.

Seis presos foram levados para depor na 76ª DP%3A entre os capturados%2C há um PM e um ex-policial civilDivulgação

Ainda segundo o policial, entre os presos estão o ex-PM Flávio da Silva e o ex-policial civil Robson de Souza Silva, que, segundo Gláucio, atuavam como segurança do bando e responsáveis pelas agressões. Além deles, os outros capturados são Anderson Cruz da Silva, Wiliam Antenuzi da Silva, Wilson Oliveira de Souza e Paulo Roberto de Souza. “Um dos envolvidos, Orlando das Chagas, conseguiu fugir e é considerado foragido”, afirmou Gláucio Paz, explicando que este pediu demissão do condomínio e deixou a vaga para Paulo Roberto, que entrou sabendo do esquema do bando.

Contra os seis presos foram cumpridos mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça por formação de quadrilha e extorsão. Caso sejam condenados, eles podem ficar até 18 anos na cadeia.
Além da cobrança diária de R$ 70, a quadrilha também colocava regras no prédio. Quem desobedece teria que pagar ‘multa’ de R$ 350. Uma das determinações do bando é que as garotas de programas, que também eram extorquidas, não poderiam andar nuas nos corredores.

Além disso, os clientes dos prostíbulos só podiam comprar bebidas alcoólicas com a loja do grupo, no entanto, nem eles e nem as mulheres poderiam consumi-las no corredor. “Vamos finalizar o procedimento e esperamos prender o Orlando Chagas para depois pedir a prisão preventiva de todos e encaminhar o processo ao Ministério Público", explicou o delegado Gláucio Paz.

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