Por thiago.antunes

Rio - Há tempos, a disputa entre traficantes e milicianos pelo controle do Morro do Banco, no Itanhangá, é marcada por rastro de pavor e sangue. Segundo moradores, a guerra explodiu quando um homem de 31 anos, há pouco mais de três meses, foi assassinado pelo tráfico, que acusava a vítima de envolvimento com a milícia. Pessoas suspeitas de ligação com os paramilitares também foram expulsas da região. Na segunda-feira, a polícia prendeu suspeito de atuar na favela, Wilson Michael Costa Soares, o Gordão.

Segundo testemunhas, a vítima teria sido roubada perto da comunidade, tendo a moto e pertences levados. Quando o homem ligou para o próprio celular, traficantes do Comando Vermelho, que tomaram o Morro do Banco dos milicianos, exigiram R$ 5 mil para devolver os bens. Logo depois, ao chegar à favela, a vítima do assalto, que estaria armada, teria sido reconhecida pelo traficante conhecido como Gavião e apontada como integrante de milícia.

Ele então foi morto a mando dos traficantes conhecidos como Flamengo e Carequinha, este último preso em maio. Antes de o corpo ser mutilado, o coração do homem foi arrancado e exibido na comunidade como exemplo aos que decidissem apoiar os milicianos. Já a moto roubada, vista durante alguns dias com Flamengo, foi queimada.

Desde maio, polícia faz operações constantes no Morro do BancoSeverino Silva / Agência O Dia

“Depois da morte, as operações se tornaram frequentes e o clima com os milicianos ficou ainda pior. O pessoal da PM e da (Polícia) Civil passou a subir quase que diariamente. Além disso, a milícia, para tentar retomar o espaço, também planejou vários ataques. Só que o Flamengo e o LC (outro traficante), que ainda comandam as bocas de fumo na região, usam a mata para fugir para o Borel, na Tijuca. Com isso, quem fica de frente na comunidade são garotos vindos de outros bairros do Rio”, contou um morador, sem se identificar.

Policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) investigam o caso, registrado inicialmente como desaparecimento. Em junho, restos mortais, que podem ser da vítima, foram encontrados na comunidade. O resultado do exame de DNA ainda não ficou pronto. A delegacia também investiga suposto auto de resistência que envolve policiais civis na favela, que culminou com a morte de Allyson Fernando Silva de Lima. Três agentes são suspeitos de efetuarem disparos após renderem a vítima. Em vídeo divulgado pelo ‘Extra’, o jovem, de 23 anos, aparece com as mão levantadas antes de ser atingido.

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