Cariocas enfrentam um rali pelas calçadas do Centro

No Dia do Pedestre, O DIA constatou obstáculos de todo tipo nas vias da cidade

Por thiago.antunes

Rio - Ontem, no Dia do Pedestre, o DIA foi às ruas do Centro ouvir as queixas dos ‘homenageados’ e constatou que um passeio pela cidade pode se transformar em uma verdadeira aventura ‘off-road’. Bueiros destampados, buracos, obras e caçambas de entulho em calçadas estreitas e todo o tipo de barreiras foram algumas das reclamações mais comuns.

Próximo à Central do Brasil, a calçada da Rua da Praça da República, quem passa à pé, vindo da Presidente Vargas, dá de cara com um bueiro aberto há meses, de acordo com a engenheira, Joci Rodrigues, de 23 anos. “Às vezes, alguém vai e coloca um galho de árvore, cabo de vassoura para chamar a atenção. Mas quando você vê, já está em cima dele. É um perigo!”, reclama.

Na área próxima à Central do Brasil%2C o comércio irregular ocupa a estreita calçada e os cariocas são ‘empurrados’ para as ruas%2C se arriscando em meio aos carros e ônAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Saindo dali, em direção à estação de trens mais famosa do país, as calçadas estão abarrotadas de camelôs que impedem a circulação de pedestre. Dona Norma Nascimento, 60, conhece bem os problemas da região. “É um sufoco esse trecho perto do terminal de ônibus (Américo Fontenele), muita gente para passar e nenhum espaço por causa dos ambulantes”, se queixa a aposentada.

O levantamento ‘Calçadas do Brasil’, concluído em 2013, da consultoria de mobilidade urbana Perkons, deu nota 4,5 para a cidade do Rio — a segunda mais baixa entre 12 capitais pesquisadas, atrás apenas de Manaus, que recebeu 3,60. A média foi feita com base na avaliação, entre outros critérios, de irregularidades, largura, obstáculos, iluminação e sinalização nas calçadas das regiões mais movimentadas.

O especialista em Mobilidade Urbana, Aurélio Lamare Murta, explica que a urbanização do Centro do Rio não foi pensada para o pedestre. “Os governos foram abrindo vias e mais vias para carros, e instalou sinais de trânsito, em 90% dos casos, em cruzamentos. Nesse cenário, o pedestre está mais sujeito a atropelamentos”, analisa. A Secretaria de Conservação e Serviços Públicos informa que vai programar uma vistoria para identificar os erros e acionar os responsáveis pelo bueiro na Praça da República. A Secretaria de Ordem Pública informou que faz operações diariamente para coibir comércio informal na Central.

Por causa de obras na Praça da República%2C uma caçamba de entulho ocupa totalmente a calçadaAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Trânsito: 20% de pedestres nas mortes

Dados do Ministério da Saúde apontam que, das 44.812 mortes por acidente no trânsito no país, em 2012 (último dado disponível), cerca de 20% foram de pedestres. A falta de infraestrutura apropriada para eles é uma das causas dos acidentes. Além disso, um passeio adequado estimula o uso do transporte público. “A ausência de infraestrutura para pedestres desestimula o uso de transporte público e fortalece a preferência por carro e táxi, na opinião de Aurélio Lamare Murta, especialista em mobilidade da UFF.

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