'Meu apoio ele não terá', diz Paes sobre possível candidatura de Bethlem

Prefeito do Rio preferiu não comentar o pedido de investigação do ex-secretário, feito pela Procuradoria Geral da República e autorizado nesta quinta-feira pelo STF

Por paloma.savedra

Rio - Em meio ao escândalo de corrupção envolvendo seu ex-secretário e braço direito, o deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou nesta sexta-feira que ele não terá o seu apoio, caso decida se candidatar novamente.

"Certamente o meu apoio ele não terá para se reeleger a deputado. E acho que o mais adequado é que ele não seja candidato. Mas a decisão é dele", declarou o prefeito, que comentou ainda o pedido de desistência da candidatura de Bethlem, quando as denúncias foram feitas. "Na vida, a gente responde pelos nossos atos e é ele que tem dar satisfações das decisões que ele vai tomar", completou. 

Prefeito Eduardo Paes afirmou que Rodrigo Bethlem (foto) deve responder por seus atos e negou apoio ao deputado caso ele volte a se candidatarUanderson Fernandes / Agência O Dia

Sobre o pedido de abertura de inquérito para investigar o deputado federal, feito pela Procuradoria Geral da República, e autorizado nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Paes preferiu não criar polêmicas: "Não sou comentarista de processo de investigação, mas acho que é natural que se investigue", disse. 

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a investigação, alegando que havia indícios de três crimes - corrupção passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro - por parte do parlamentar.

Denúncias feitas pela ex-mulher de Bethlem, Vanessa Felipe, à Revista Época, revelam que o deputado recebeu propina quando era secretário municipal de Desenvolvimento Social no Rio e manteve, na Suíça, uma conta não declarada à Justiça Eleitoral. A reportagem mostrou gravações feitas por Vanessa, durante negociações sobre valor do pagamento da pensão, em que o ex-secretário conta que recebia dinheiro de convênios municipais.

Nas conversas, o parlamentar conta que recebia cerca de R$ 18 mil de salário e tinha uma receita de R$ 100 mil. Mesmo com a divulgação das gravações, o deputado nega as denúncias.

Empresa que doou dinheiro para campanha de Bethlem foi contratada pela Câmara

CPI do caso Bethlem longe de sair do papel

Vereadores pedem no MPF investigação do caso Bethlem






Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia