Preso no Paraguai, chefe do pó nega ter ordenado ataques a policiais

'Meu ensinamento é outro', diz José Benemário

Por O Dia

Rio - Preso no Paraguai, José Benemário de Araújo, de 51 anos, considerado um dos bandidos mais procurados do Rio, negou, em conversas informais com agentes que o capturaram no país vizinho, a participação em ataques a policiais. O DIA teve acesso a três vídeos feitos pela Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) na ação conjunta com a Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad) na Cidade del Este.

“A minha (tática) não é violência, não, cara. Você nunca vai ver eu mandar dar tiro num ‘polícia’ (...) Meu ensinamento é outro de crime”, disse, erguendo o queixo e exibindo leve sorriso, enquanto era questionado sobre suposta participação no ataque à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Arará/Mandela, em Manguinhos. Em março, cerca de 150 pessoas destruíram duas viaturas e cinco contêineres da unidade. Dezessete pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pelos crimes de roubo e incêndio. Segundo a denúncia, Benemário teria ordenado o ataque.

Em conversa gravada dentro do avião, ontem à tarde, quando estava sendo trazido ao Rio, Benemário se defendeu da acusação de ordenar, de dentro da cadeia, a invasão de bandidos armados à 25ª DP (Engenho Novo) para resgatar Diogo de Souza Feitoza, o DG, em julho de 2012. E ainda explicou: “Ele era (réu) primário e poderia sair pela Justiça também”. Outro vídeo mostra quando Benemário foi levado por agentes da Senad dentro de viatura.

Benemário chega ao Rio%3A denunciado por crimes em ManguinhosReprodução

Monitorado há três meses, o traficante foi capturado segunda-feira à tarde, após sair de um apartamento com quatro suítes na Cidade del Este para consultar dentista. Ao ser abordado, se identificou como ‘Francisco’. Mas foi desmentido pelos agentes da Dcod, que exibiram foto com a sua identificação. Ontem de manhã, após passar a noite em uma carceragem da Senad, Benemário cruzou a Ponte da Amizade, fronteira com Foz do Iguaçu, no interior do Paraná, escoltado por quatro viaturas. À tarde, embarcou em um voo comercial para o Rio. Algemado e acompanhado por três agentes da Dcod.

Criminoso afirma que pretendia ficar fora do país

Benemário disse a agentes da Dcod que morava há um ano no Paraguai, onde pretendia se estabelecer, longe do contato com o tráfico do Rio. No apartamento onde morava, só recebia visitas da mulher, dos sete filhos e dos netos.

Condenado a 73 anos de prisão por crimes de homicídio, sequestro, roubo, tráfico de drogas e formação de quadrilha armada, cumpriu pena e é acusado pela polícia de ordenar as ações do tráfico atrás das grades — como a invasão ao Morro dos Macacos, na Vila Isabel, que acabou com o abate ao helicóptero da PM, em 2009. Ele estava foragido desde fevereiro de 2013, quando foi beneficiado pelo regime semiaberto.

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