Suspeito de ligação com milícia, Luiz Antonio depõe nesta quinta-feira

Draco investiga ligação do jogador rubro-negro com a Liga da Justiça; quadrilha é acusada de extorquir e torturar moradores da Zona Oeste

Por O Dia

Rio - Suspeito de doar carro de luxo a um dos chefes da milícia Liga da Justiça e de formação de quadrilha, o jogador do Flamengo Luiz Antonio de Souza Soares, de 23 anos, será ouvido nesta quinta-feira pelo delegado Alexandre Capote, titular da Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE).

O craque do time rubro-negro foi intimado a prestar esclarecimentos sobre sua ligação com a Liga da Justiça, acusada de torturar, extorquir e até matar moradores da Zona Oeste. Ele será investigado por estelionato, pois teria dado o chamado ‘golpe do seguro’.

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De acordo com a Draco, o possível envolvimento de Luiz Antonio com a quadrilha se dava por meio do irmão de criação do jogador, Alexander da Rocha Antunes, o Sérgio Preto, policial civil lotado na 42ª DP (Recreio). Ele acabou preso na Operação Tentáculos e apontado como homem do segundo escalão do bando. Alexander confeccionou o registro de roubo do carro.

Luiz Antonio - FlamengoAndré Mourão

Na ocorrência, escrita em poucas linhas, o comunicante informou apenas que o Ford Edge foi levado por dois homens que estavam numa moto, usando capacetes e pistolas, em Guaratiba, também na Zona Oeste. Segundo o titular da Draco, delegado Alexandre Capote, Luiz Antonio será investigado inicialmente por estelionato.

Se no decorrer do inquérito houver algum indício de ligação mais estreita com o bando, por meio de escutas telefônicas autorizadas judicialmente, por exemplo, o atleta responderá também por formação de quadrilha.

Jogador teria tentado dar 'golpe do seguro'

Em janeiro, conforme apuração da Draco, quando passava por momento conturbado no Flamengo — tendo, inclusive, entrado na Justiça para pedir a rescisão de seu contrato — e numa difícil situação financeira, Luiz Antônio teria tentado dar o ‘golpe do seguro’ para receber o valor do carro da seguradora.

Naquela época, Luiz Antonio e outros jogadores de futebol do Rio, além de artistas, costumavam frequentar, de acordo com a testemunha, churrascos realizados por milicianos nos fins de semana. Nesta segunda-feira, agentes da Draco tentaram entregar a intimação ao apoiador em seu apartamento, num condomínio da Barra da Tijuca, mas o porteiro informou que ele teria mudado de endereço na semana passada. Ainda segundo a Draco, Luiz Antonio e o pai têm dia e hora — não revelados — para comparecerem à sede da especializada esta semana.

Em nota, o Flamengo informou que vai esperar pela conclusão da investigação para se pronunciar. O meio-campo foi titular, no domingo, contra o Sport, no Maracanã, pelo Brasileiro. 

Craque pode ser demitido do Flamengo

Se ficar comprovado o envolvimento de Luiz Antonio em estelionato e qualquer ligação com a milícia Liga da Justiça, o jogador poderá ser demitido do Flamengo. Nos contratos assinados pela atual diretoria, há uma série de restrições em caso de envolvimento dos atletas com crimes, inclusive com rescisão de trabalho por justa causa.

Depois de escândalos relacionados a seus jogadores — o maior deles envolvendo o goleiro Bruno de Souza, que está preso, condenado pelo assassinato da modelo Eliza Samudio —, a presidência do clube tenta evitar, dessa forma, que o nome do clube continue aparecendo nos noticiários policiais.

A revelação da suposta ligação de Luiz Antonio com a milícia da Zona Oeste deixou amigos, torcedores e parentes do jogador estarrecidos. A Liga da Justiça, segundo a Draco, é um dos bandos mais violentos do Rio.

Por mês, os negócios da quadrilha, que envolviam até o controle de condomínios do Programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, movimentava mais de R$ 1 milhão por mês. Dos 27 investigados do grupo, 21 foram presos na quinta-feira. Para intimidar moradores, desafetos eram torturados e mortos em praça pública.

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