Por daniela.lima
Publicado 20/08/2014 01:32 | Atualizado 20/08/2014 01:34

Rio - O drama interminável da espera por uma cirurgia no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) — principal centro de referência da especialidade no país — finalmente mostrou suas proporções. Dados da Defensoria Pública da União (DPU) no Rio de Janeiro revelaram que nada menos que 14.077 pacientes aguardam a sua vez. Alguns, há até dez anos. 

José Antônio%2C com a filha Suellen%3A ele está esperando há dois anos por uma operação no quadrilReprodução


Uma ação civil pública ajuizada na segunda-feira pelo órgão cobra da União um prazo de no máximo dois anos para que a fila deixe de existir e sejam realizados os procedimentos pendentes.

Para dar conta da imensa demanda de pacientes no prazo estipulado, a ação determina realização de concursos públicos e contratação temporária de profissionais em até dois meses após a decisão judicial.

Os dados do Into, que mostram o número de pessoas à espera de cirurgia, também serão atualizados. Segundo o autor da ação, defensor público federal Daniel Macedo, entre as pessoas relacionadas no relatório enviado à DPU, pode haver pacientes que não precisam mais da cirurgia, já operados, alguns em tratamento em outros hospitais, e até já falecidos.

O relatório revela que mais da metade das pessoas na fila tem mais de 60 anos: são 7.498 pacientes acima desta idade, 53% do total. “Encontrei uma senhora de 103 anos esperando por uma cirurgia, e outra de 89, que aguarda há oito anos”, contou Macedo.

A diferença entre o número de nomes que aparecem na lista e a quantidade real de pacientes pode resultar em gastos desnecessários com material e pessoal. Por isso, a ação pede a realização de um novo levantamento em 90 dias depois da decisão do juiz. Um sistema informatizado e integrado aos outros seis hospitais federais também é previsto, e terá que ser implantado em até 140 dias.

Caso as decisões sejam descumpridas, a ação prevê multa de R$ 10 mil para cada dia de atraso nas resoluções; bloqueio das verbas do governo para publicidade; e responsabilização do secretário Nacional de Atenção à Saúde e do diretor do Into. O instituto afirmou não ter sido informado oficialmente sobre a ação.

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