Rio - O Ministério Público Federal (MPF) em Campos, Norte Fluminense, reconstituiu, nesta terça-feira, episódios ocorridos durante a ditadura, quando a Usina Cambaíba era usada para incinerar corpos de possíveis vítimas do regime militar. A simulação teve a presença do procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, responsável pelas investigações e do ex-delegado do Departamento de Ordem e Política Social (Dops), Cláudio Guerra.
Em seu depoimento, o ex-delegado relatou que participou da queima de pelo menos 12 corpos trazidos da Casa da Morte, situada em Petrópolis. Para a reconstituição dos fatos, foram usados manequins. Cláudio Guerra indicou como os corpos eram trazidos e jogados no forno da Usina Cambaíba.
Na ocasião, foram ainda ouvidas outras testemunhas e empregados da Usina, que estariam envolvidos na cremação dos corpos. Os depoimentos duraram em média 3 horas. O próximo passo será a oitiva de mais 9 pessoas.
"Cláudio Guerra, apesar de colaborar, é um assassino frio e confesso. Foi braço do Regime Militar e merece pagar à justiça por suas atrocidades. A reconstituição mostrou que a queima era possível. Vamos prosseguir nas investigações”, destacou o procurador Eduardo Santos de Oliveira.
As investigações sobre a incineração de corpos na usina foram abertas em maio de 2012. Na época, foi instaurado procedimento investigatório criminal para apurar declarações do ex-delegado no livro “Memórias de uma guerra suja”.