Dança do passinho leva a cultura funk à Central do Brasil

Dançarinos de favelas cariocas ensaiam para ‘invadir’ a gare mais famosa do país

Por O Dia

Rio - Os pés que circulam com pressa pela Central do Brasil vão ganhar novo ritmo na próxima sexta-feira, dia 30. Como parte da Rio Parada Funk, 40 jovens dançarinos de favelas já estão ensaiando coreografias para fazer passageiros da SuperVia dançarem ao estilo do passinho na estação, às 11h. Além desse evento, até o dia 14 de setembro, haverá diversas apresentações pela cidade, reunindo várias gerações de funkeiros.

O dançarino Douglas Theodoro, o Dodô, de 19 anos, integra a Família Mister Passista, um dos quatro grupos de dez dançarinos que farão apresentações próprias e também uma coreografia em conjunto.
“Já brinquei muito de dançar por ali com os amigos. Mas nunca me passou pela cabeça ser o centro das atenções”, disse. “É muito movimentado, se aquela estação parar, o mundo também para. Não vamos parar o mundo, mas botar todo mundo para dançar”, avisou Douglas.

Os Arcos da Lapa servem de cenário para ensaio de dançarinos do passinho que vão se apresentar na ‘Rio Parada Funk’%3A eles prometem agitar a Central do Brasil sexta-feiraUanderson Fernandes / Agência O Dia

Líder da Família Sensacionais, do Cantagalo, Waldecrei Cabral, o Key Tetra, aprova o cenário.
“Mesmo com pressa, a galera gosta de assistir a algo novo. Espero que eles parem para estacionar e gostem da apresentação”, disse. “É importante para a nossa visibilidade. O passinho já foi marginalizado e precisa aparecer para fortalecer a cultura funk”, afirmou Waldecrei.

Coreografados pelas irmãs Raquel e Débora Polistchuck, os jovens dançarão ao som do remix de ‘Barbeiro de Sevilha’, criado pelo DJ Grandmaster Raphael especialmente para apresentação. Além da performance do passinho, barbeiros dançarinos irão realizar no local uma batalha de cortes que fazem a cabeça dos jovens do funk: desenhos com gilete e máquina nos cabelos.

Pela primeira vez em quatro anos, a Rio Parada Funk entrou para o calendário oficial da cidade, após decreto assinado pelo prefeito Eduardo Paes, em dezembro passado. O segundo domingo de setembro foi escolhido como a data oficial da cultura funk na cidade. Organizador do projeto, Matheus Aragão, de 23, comemora a valorização do ritmo que cada vez mais supera o preconceito e marginalização.

Dança do passinho é febre em comunidades%3A depois de quatro anos%2C a Rio Parada Funk entrou para o calendário oficial da cidadeAndré Mourão / Agência O Dia

“A ideia é mostrar os muitos universos da cultura funk e proporcionar uma grande confraternização entre todas as gerações do movimento, que existe desde o final dos anos 70”, disse. Um dos expoentes do estilo musical no Rio, o funkeiro Mr. Catra elogiou a iniciativa. “Esse evento só me orgulha, espero que continue. A massa funkeira merece isso e muito mais”, disse. “O funk é nossa cultura. E em muitas das vezes é uma forma de a comunidade mostrar sua força. Todos que vivem funk têm que comemorar”, estimulou o músico.

Em setembro, acontece 'o maior baile funk do planeta' na Sapucaí

A intervenção com coreografia do passinho na Central do Brasil é apenas uma das atrações promovidas pela Rio Parada Funk, que promete mobilizar não só a galera do funk, mas também os cariocas em diversos cantos da cidade.

O próximo evento acontece nesta terça-feira. ‘Funk, a Trilha Oficial da Cidade Maravilhosa — Oportunidades para o Funk Carioca nas Olimpíadas 2016 e Megaeventos do Rio de Janeiro’ é o tema que encerra a ‘III Conferência Funk’, na Sala Sidney Miller, na Funarte (Rua da Imprensa, no Centro, às 17h) e que reuniu cerca de 40 dos mais importantes DJs da cena funk, na abertura do dia 5: Grandmaster Raphael, Marcão CashBox, Malboro, Batutinha, Sany Pitbull, Paulinho Cabeção, Rafael PitBull, MC Maysa e Rômulo Costa.

Após a apresentação do passinho na Central, as atividades continuam, como a exposição ‘Memória Funk’. Até 16 de setembro, caixas de som cenográficas ocuparão 10 estações de metrô e trem, além de cinco pontos da cidade: Siqueira Campos, Estácio, Carioca, Central e Pavuna, do Metro Rio; Deodoro, Marechal Hermes, Madureira, Engenho de Dentro e Central, da SuperVia. As caixas também estarão nas ruas, na Praça das Nações, Carioca, Praça XV, Lapa, Praia de Botafogo e Praça do Conhecimento.

Na Estação Carioca, será exposto o trabalho da fotógrafa e historiadora Maria Buzanovsky, que retrata o funk carioca. Na estação Siqueira Campos, haverá telas de grafiteiros que dialogam com a cultura do ritmo musical, como Wilbor, Eduardo Denne e Bragga e Marcelo Ment e Airá Ocrespo, na estação do Estácio. No dia 14 de setembro, ‘o maior baile do planeta’ vai atravessar toda a passarela do samba.

Diferente do último ano, quando ocupou apenas a Praça da Apoteose, a Parada, que contou com o patrocínio da prefeitura do município e do governo do Estado do Rio de Janeiro, acontecerá ao longo de toda a Avenida Marquês de Sapucaí. Cerca de mil pessoas de todo o Brasil e também de outros países se inscreveram nos eventos da ‘Rio Parada Funk’, que têm entrada gratuita. Os ingressos deverão ser impressos no site www.rioparadafunk.com.br.

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