Santa Casa vende imóvel no Centro para pagar dívidas

Empreendimento comercial não revelado será erguido na esquina da Avenida Antonio Carlos com Rua Santa Luzia

Por O Dia

Rio - Sem alarde, a Santa Casa da Misericórdia tenta sair da crise financeira abrindo mão de alguns bens. Em dezembro do ano passado, a instituição firmou uma parceria com a Performance Empreendimentos Imobiliários para a construção de um prédio em terreno da instituição, situado na Rua Santa Luzia, esquina com Avenida Presidente Antônio Carlos.

No local, existem um laboratório, um ambulatório e um CTI (estes dois últimos interditados). O valor da negociação não foi divulgado, mas a Performance afirma que parte já foi paga para a Santa Casa sanar algumas dívidas. “Fizemos uma parceria que será muito interessante para a Santa Casa. Entramos na negociação porque se trata de uma localização extraordinária”, diz Luís Oswaldo Leite, presidente da Performance.

Não há previsão para o início da obra, que está em fase de elaboração do projeto. O boato que se ouve pelos corredores da Santa Casa é que ali seria construído um hotel ou um shopping center, informação negada por Luís Oswaldo: “Não será hotel, nem shopping. A nossa ideia é fazer uma coisa boa para a cidade, afinal, é um lugar privilegiadíssimo”.

O conjunto de prédios da Santa Casa%2C no Centro%3A venda de terreno para ajudar a melhorar crise financeira Paulo Araújo / Agência O Dia

O que tem causando estranheza é a maneira como a negociação vem sendo conduzida. “Nada é feito às claras e ninguém sabe exatamente o que vai ser construído ali”, diz o mordomo (cargo de chefia) da Tesouraria, o engenheiro Marcelo Susini. 

Já o escrivão interino e diretor de saúde da Santa Casa, José Galvão Alves, conta que foi comunicado: “Participei de uma reunião há cerca de um mês. Na área será implantado um empreendimento comercial, mas mantendo ainda o espaço para 30 salas ambulatoriais e um novo laboratório”. Ele não informou o tipo de empreendimento.

O médico patologista, Ricardo Granato, que há mais de 20 anos é chefe do laboratório, critica a negociação. “A Santa Casa está deixando de ser instituição médica para se transformar numa instituição imobiliária”, reclama. Atualmente, o laboratório mantido por Granato, muito bem equipado, atende a apenas 20 pessoas por dia, mas tem capacidade para servir a 120 pacientes.

Intervenção judicial foi requerida

Até que decidam o que será realmente construído no terreno em questão, muita água vai rolar. No último dia 29 de julho, Marcelo Susini, mordomo da Tesouraria, entrou com uma petição na Justiça requerendo a intervenção judicial na instituição. Ele alegou que a administração atual da Santa Casa vem sendo exercida de forma calamitosa pelo provedor interino Luiz Fernando Mendes de Almeida.

Na petição, Susini ressalta que, há muito, a instituição vem sendo gerida de forma a comprometer a sua saúde financeira e que o atual grupo que está no comando vem firmando contratos suspeitos sem qualquer transparência. Susini é o terceiro homem da linha sucessória da instituição e diz que está disposto a assumir o cargo de provedor, comprometendo-se a criar um grupo gestor que terá a função de apresentar uma prestação de contas semestralmente.

Procurado para responder às acusações, o provedor não retornou as ligações. A eleição para novo provedor, marcada para o último dia 12, foi cancelada após uma suspensão pela Justiça.

Reportagem de Márcio Allemand

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