Prefeitura inaugura primeiro mictório feminino em Copacabana

Parte das mulheres ouvidas pela reportagem do Dia, no entanto, demonstram receio com segurança e higiene

Por O Dia

Rio  - Uma novidade que divide a opinião das mulheres. A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, inaugurou, na manhã desta quarta-feira, a primeira UFA (Unidade de Fornecimento de Alívio) feminina da cidade, instalada na Praça Serzedelo Correia, em Copacabana, Zona Sul. O equipamento é duplo, com uma cabine para mulheres e outra para homens, e ainda é um protótipo. Para ser aprovado, o modelo passará por um período de testes, como aconteceu com a primeira unidade masculina que foi instalada na Central do Brasil no ano passado.

Segundo a Prefeitura, a Praça Serzedelo Correia foi o ponto escolhido para a instalação do equipamento por ser uma área monitorada diariamente por agentes da Guarda Municipal e fechar durante o turno da noite o que, segundo o órgão, impediria qualquer tipo de delito dentro do mictório público.

Novo mictório divide opinião das mulheres. Na foto%2C Cleo Batista foi a primeira a usar a UFASeverino Silva / Agência O Dia

“A UFA feminina passará por um período de testes. É importante ressaltar que a aquisição desses equipamentos pela Prefeitura do Rio é uma tentativa de minimizar uma real necessidade dos cariocas. Os mictórios públicos ficam à disposição da população que precisa cuidar desses equipamentos. Grande parte dos problemas registrados até o momento nas unidades masculinas foi causada pelo uso inadequado dos equipamentos. A UFA não foi feita, por exemplo, para receber material como copos ou garrafas de plástico, o que pode provocar entupimento”, destacou o secretário Marcus Belchior.

Apesar de toda a estrutura anunciada pelo secretário, o mictório feminino divide opiniões. A publicitária Noêmia Braga, 25 anos, descartou qualquer possibilidade de usar o espaço. "É muito estranho, nojento, insalubre. Já calculo pelo mictório masculino do Largo do Machado. O cheiro ruim vai longe. Eu não vou de forma alguma usar um negócio aberto, abaixar a calça no meio de uma praça pública, é muito perigoso", disse.

De igual opinião, a designer Carla Prata, 26, não imagina usar a UFA. "Nem no desespero. Acho nojento. Não confio que vai ser bem cuidado. E ainda é colado ao banheiro masculino. Isso é um absurdo. Deveria ser separado, bem longe um do outro. Prefiro pagar para usar o banheiro de um bar".

"Não usaria nem no desespero"%2C disse a designer Carla Prata Severino Silva / Agência O Dia

A relações públicas Paula Sá, 23, não veria problemas em usar o mictório. "Usaria sem o menor problema. Aqui no Rio a gente tem que se virar em qualquer lugar. No Carnaval, na hora do aperto, não tem jeito, faço na rua, já que falta banheiro químico, então esse banheiro é até bem-vindo", apontou. A professora Lara Fraga, 22, também admitiu o uso. "Na hora do aperto a gente não pensa muito, acaba usando. Não tendo outra alternativa, vou usar, mas com cuidado".

Até o momento, a cidade conta 20 unidades do mictório público masculino. Largo do Machado, Lapa, Praça XV, Madureira, Praça General Osório, Praça Santos Dumont, Largo do Pechincha, Ilha de Paquetá e Praça Saens Pena são alguns dos pontos que já contam com UFAs. Ao todo, 100 unidades estarão disponíveis para a população do Rio até o final do ano.

Construído em aço inox, a UFA é um mictório que conta com ligação direta com a rede de esgoto. Para evitar mau cheiro, uma válvula especial não permite o retorno do odor das galerias. O sistema não utiliza água corrente, o que é ecologicamente correto.

A manutenção dos novos equipamentos públicos é feita pela Comlurb duas vezes ao dia. Por se tratar de uma estrutura totalmente à prova d´água, um carro pipa pode ser utilizado para fazer uma limpeza mais completa do mictório.


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