Com menos carros, carioca respira melhor no Centro

Região foi a que teve melhor avaliação da qualidade do ar entre oito monitoradas em 2014

Por O Dia

Rio - Há algo de curioso no ar do Centro da cidade do Rio de Janeiro: o carioca está respirando melhor. O bairro apresentou os melhores índices de qualidade do ar neste ano entre os oito monitorados (Centro, Copacabana, São Cristóvão, Tijuca, Irajá, Bangu, Campo Grande e Pedra de Guaratiba) pelo Programa MonitorAr-Rio, da prefeitura, como revelou o ‘Informe do DIA’ nesta quinta-feira.

Os dados da Secretaria municipal de Meio Ambiente apontam ainda que, de 2011 a 2013, os níveis de partículas inaláveis na estação de monitoramento do ar do Centro caíram 16,62% na média anual. De acordo com a secretaria, as mudanças no trânsito de veículos, como a implementação de corredores de ônibus BRS e a diminuição do número de vagas em estacionamentos para veículos particulares podem ter influenciado esses números. Em nota, o órgão afirmou que sempre que ocorre diminuição do fluxo de veículos é gerada uma expectativa de redução da emissão de poluentes atmosféricos.

As mudanças no trânsito do Centro contribuíram para reduzir o número de carros particulares e%2C segundo a prefeitura%2C melhorar a qualidade do arJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Ainda assim, o cenário não é tão animador. Segundo o monitoramento, feito entre janeiro e 3 de agosto deste ano, só dois bairros — Centro e São Cristóvão — tiveram mais da metade dos dias com o índice de qualidade do ar considerado bom. No Centro, o ar esteve bom durante 152 dias, ou 70,7% do total, enquanto em São Cristóvão o ar esteve bom por 121 dias, ou 56,3%. Já os bairros de Irajá e Bangu tiveram os piores índices, com ar considerado bom em apenas 68 (31,6%) e 43 (20%) dias , respectivamente.

“Irajá e Bangu são próximos à Avenida Brasil e à Via Dutra, onde há muita emissão de gases veiculares, além de ser uma região entre duas montanhas, o que dificulta ainda mais a dispersão das partículas”, informou Bruno Franca, engenheiro químico e gerente do programa da prefeitura. Ele explica também que houve uma melhora na qualidade dos combustíveis nos últimos anos, o que diminui o nível de emissão de gases.

Influência da estiagem

Muito embora o monitoramento da prefeitura aponte para uma melhora na qualidade do ar no Centro na maior parte dos dias deste ano, a escassez de chuvas acaba contribuindo para uma piora nos níveis de poluição, segundo especialistas. A pesquisadora da Coppe, da UFRJ, Paulina Porto, especialista em poluição veicular, explica que a diminuição do fluxo de veículos ajuda na qualidade do ar do Centro, mas ela lembra que devemos levar em conta as condições meteorológicas.

Mapa da poluição atmosféricaArte%3A O Dia

“Quando chove a atmosfera é lavada. É uma limpeza natural do ar. A cidade do Rio de Janeiro não é homogênea quando consideramos as variáveis meteorológicas e geográficas. E esses fatores influenciam cada região”, diz. Bruno Franca, gerente do Programa de Monitoramento do Ar da prefeitura, também lembra da influencia do clima.

“No Rio, a maior parte das emissões de gases são de veículos, e não podemos esquecer, também, da questão meteorológica. Estamos no inverno, que é uma estação naturalmente seca, e o verão deste ano também foi atípico, com pouca chuva e um calor muito intenso”, afirma o gerente do programa.
O ar em bairros como o Alto da Boa Vista e a Barra da Tijuca, por exemplo, não são monitorados porque existe a ideia de que esses locais, mais isolados, não sofrem com o problema da poluição.

Reportagem de Márcio Allemand

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