Por thiago.antunes

Rio - Os olhares fixos na tela de projeção ocasionam um silêncio raramente visto na sala de aula. Não é para menos. É a primeira vez que alguns estudantes vivenciam a experiência de ‘ir ao cinema’. Eles estão entre os contemplados pelo Circuito Cine Curta, projeto que mistura exibições de curta-metragens inéditos ao ensino didático. Neste ano, cerca de 10 mil jovens, de nove escolas estaduais e municipais receberam a iniciativa.

Jorge Dias, de 11 anos, aluno do 6º ano do Ensino Fundamental do Instituto de Educação e morador do Morro do Salgueiro, assistia maravilhado, na tarde desta quarta-feira, ao documentário ‘Disque Quilombola’. Ele nunca tinha visto a “televisão gigante e com um som melhorado”, descrita por colegas de classe que já tinham tido contato com a sétima arte.

Quarenta alunos com necessidades especiais assistiram aos mesmos vídeos exibidos para a Educação InfantilMárcio Mercante / Agência O Dia

Desde 2010, quando foi criado, cerca de 60 mil pessoas assistiram a curtas inéditos, apropriados às suas faixas etárias. E, como estão na escola, é claro que o retorno deve ser mostrado nos boletins. Professores das turmas realizam atividades e avaliações baseados nas películas. Neste ano, o circuito itinerário se encerra no próximo dia 11. Em outubro, a organização do projeto vai avaliar os melhores trabalhos didáticos desenvolvidos nas salas. A escola vencedora ganhará, como troféu, uma festa. Para o pequeno Jorge, no entanto, o prêmio já veio. “Se eu contar para o meu irmão menor, ele nem vai acreditar que fui ao cinema”, dizia orgulhoso.

Jovens especiais também assistem

A exibição desta quarta, no Instituto Estadual de Educação, contou com um público diferente do habitual do projeto. Quarenta alunos com necessidades especiais do projeto de educação inclusiva da unidade assistiram aos mesmos vídeos exibidos para a Educação Infantil. “Adorei. Ainda ganhei livros novos”, exibia Vítor Ramos, 24, que tem Síndrome de Down e venceu o quiz promovido.

Para o professor Herval Marques, o projeto permite o ensino interdisciplinar. “Já espero a próxima edição, com tradutor em Libras, para os deficientes auditivos”, sonhava. Idealizadora do projeto, a atriz Juliana Teixeira iniciou o trabalho ao notar o baixo acesso dos jovens ao cinema. “Buscamos apoio e patrocínio justamente para ver o sonho das crianças se concretizarem”, disse emocionada.

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