Por thiago.antunes

Rio - O assassinato do ex-traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, na tarde de terça-feira, no Morro do Telégrafo, no Complexo da Mangueira, pode ter provocado uma reação instantânea de seus aliados. A Divisão de Homicídios (DH) da Capital investiga a informação de que Guilherme Augusto Souza Nascimento teria sido executado, minutos depois, já em represália à morte do antigo líder da Mangueira.

Guilherme, que teria chegado à comunidade junto de Tuchinha em uma Land Rover Discovery, pode ter passado informações precisas aos assassinos, que utilizaram uma moto. Eles pertenceriam ao grupo do traficante Marcelo Fonseca de Souza, o Xará. Ele seria o atual líder do Buraco Quente e, ao lado de Jean Carlos Ramos Tomaz, o Beni, um dos mandantes do crime.

Cerca de 30 pessoas%2C entre parentes e amigos%2C acompanharam o enterro de TuchinhaAlexandre Vieira / Agência O Dia

A dupla é dissidente do grupo do ex-traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, irmão de Tuchinha, e aliada do bando de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que está preso. Apesar de ter trabalhado no AfroReggae desde sua saída da cadeia, onde recebia R$ 2,5 mil, uma das principais linhas de investigação para o crime gira em torno da disputa pelo controle da venda de drogas na comunidade.

Mas as hipóteses de relação com a briga entre a ONG e o grupo ligado ao Pastor Marcos, que está preso, ou uma antiga dívida de Francisco com o Comando Vermelho (C.V), não estão descartadas. Ainda segundo as investigações, um dos suspeitos da morte já teria sido identificado por testemunhas.

Comércio ficou fechado inicialmente nesta quarta%2C mas funcionou normalmente ainda na parte da manhãSeverino Silva / Agência O Dia

O próprio coordenador do AfroReggae, José Júnior, repassou dois nomes à delegacia. O acusado, inclusive, moraria na mesma rua de Guilherme, que levou pelo menos 20 tiros de pistola 9mm na Rua Japurá. A via fica a cerca de 150m da Rua da Prata, onde Tuchinha foi atingido por cinco tiros de pistolas 40 e 45. A polícia não descarta chamar Polegar para depôr sobre o caso. José Júnior deve comparecer à delegacia até o fim da semana. Até agora, seis pessoas foram ouvidas. Imagens de circuitos de câmeras estão sendo analisadas.

Advogado: ‘Ele não estava ameaçado’

Cerca de 30 pessoas acompanharam o enterro de Tuchinha, na tarde desta quarta, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. Apenas uma coroa de flores foi enviada por “Amigos de Padre Miguel”. Segundo o ex-advogado de Tuchinha, Alexandre Dumans, ele não estava ameaçado. Dumans disse que Tuchinha morava com a mãe, no Buraco Quente, na Mangueira. A família o orientava a sair da comunidade, mas ele se recusava.

“É prematuro dizer o que aconteceu. José Júnior (líder do AfroReggae) pode ajudar na investigação”, contou. José Júnior, chegou ao velório, com dois seguranças. Sem falar com ninguém, ficou por 15 minutos e saiu. O comércio funcionou normalmente e apenas uma escola estadual fechou, deixando 600 alunos sem aulas. O policiamento foi reforçado.

Polegar quis sair do Rio

Com medo de morrer, o ex-chefão da Mangueira Alexander Mendes da Silva, o Polegar — agora ex-bandido ligado à ONG AfroReggae — pediu à Justiça para deixar o Rio. Em 30 de julho, a juíza do 4º Tribunal do Júri, Elizabeth Louro, alegou que não poderia autorizar a viagem. Isso porque a prisão preventiva dele, decretada por sequestro e cárcere privado durante motim em Bangu 3, em 2003, foi revogada pela 5ª Câmara Criminal. Na ocasião, um agente penitenciário morreu.

Na decisão que beneficiou Polegar com a liberdade, os desembargadores impuseram que ele tem que comparecer uma vez por mês no 4ª Tribunal do Júri. Para o Ministério Público, embora Polegar tenha afirmado temer por sua vida sob a alegação de ter deixado a facção Comando Vermelho (CV), não relatou fatos contundentes de ameaças e não informou o endereço onde moraria caso deixasse o estado.

Como O DIA publicou nesta quarta, além de Tuchinha, Polegar também seria um dos alvos dos criminosos. Quando deixou o presídio de segurança máxima Bangu 1, em 17 de julho, ele foi direto para sede do AfroReggae, onde foi recebido pelo fundador da projeto, José Júnior. Na ocasião, revelou sobre o medo de ser morto. O maior temor seria porque só havia comunicado a saída aos ex-companheiros do crime e temia represálias tanto dos ex-colegas quanto da polícia.

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