Por thiago.antunes

Rio - O Chefe de Polícia Civil e delegado Fernando Veloso não quis afirmar que delegado titular da 79ª DP (Jurujuba), Henrique Paulo Mesquita Pessoa, poderá ser demitido. No entanto, Veloso reconheceu que a Corregedoria da corporação está trabalhando no caso.

"Falar em demissão é muito prematuro. Vou receber o relatório da delegada da 12ª DP (Copacabana) e do delegado da Corregedoria da Polícia Civil que designei para acompanhar e dar apoio à investigação. A Chefia de Polícia vai formar uma comissão e com cautela, com os devidos respeitos aos direitos de todos, chegar às suas conclusões".

O delegado da 79ªDP (Jurujuba) Henrique Pessoa%2C deixou no início da tarde desta quinta a 13ªDP (Ipanema) onde estava preso por atirar num homem durante audiência judicialSeverino Silva / Agência O Dia

Veloso lamentou o episódio ocorrido nesta quarta-feira. "Ficamos tristes, afinal se trata de um profissional da Polícia Civil. O que aconteceu foi lamentável".

Liberdade concedida pela Justiça

Pessoa conseguiu na madrugada desta quinta-feira a liberdade provisória concedida no plantão judiciário. Ele está preso desde a tarde de quarta na 13ªDP (Ipanema) após balear Carlos Gomes, de 29 anos, membro da igreja Geração Jesus Cristo, liderada pelo pastor Tupirani da Hora. Ele foi solto no início desta tarde.

Carlos Gomes mostra curativo na saída do Hospital Miguel CoutoDivulgação

Carlos teve alta do Miguel Couto na tarde desta quinta. Apesar de não ter relação com o processo, ele estava no Fórum atendendo um pedido do pastor, que através de uma rede social solicitou a presença dos fiéis. A irmã dele, a agente de saúde Ignéia Maria de Carmo Gomes, 31 anos, estava no hospital e disse estar indignada com a liberdade do delegado. As desavenças entre Pessoa e o pastor e seus fieis teria começado em 2009.

No ano anterior, o delegado foi convidado para representar a Polícia na Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Ele foi responsável pela investigação que prendeu quatro da Igreja Geração Jesus Cristo, que teriam destruído um centro espírita no Catete, em 2008. No ano seguinte, o delegado prendeu o pastor, com a alegação de que ele seria o mentor do ataque.

Tupirani mostrou indignação com a liberdade do delegado Henrique Pessoa. "É um absurdo. A delegada tinha me prometido que ele seria preso em flagrante, vou pedir um esclarecimento a ela", garante. No entanto, a advogada Luciana Pessoa, filha de Pessoa, afirmou que o pastor Tupirani vem perseguindo sua família há anos. "A minha família vem sendo perseguida pela igreja há muito tempo. Desde que começou o processo, tem campanha na internet para difamar o delegado. A gota d'água foi que ele (pastor Tupirani) divulgou uma informação de que o meu pai era envolvido com o jogo do bicho".

Confusão durante audiência em Copacabana

O caso aconteceu durante uma audiência de conciliação no 5º Juizado Especial Cível de Copacabana envolvendo um pastor evangélico e o delegado. Após a análise das câmeras de segurança do Juizado, a delegada titular da 12ªDP (Copacabana), onde o caso foi registrado, Izabela Silva Rodrigues Santoni, determinou a prisão de Henrique Pessoa em flagrante por tentativa de homicídio. Segundo Santoni, ficou claro nas imagens que o delegado tinha a intenção de atirar contra o membro da igreja.

De acordo com informações de testemunhas, o delegado, se desentendeu com o pastor na saída do Juizado. Antes de disparar contra a vítima, ele ainda deu uma cabeçada no líder da religião evangélica.

Pastor da igreja Geração Jesus Cristo mostrou indignação com liberdade de delegadoFabio Gonçalves / Agência O Dia

Tupirani disse que a agressão provocou a revolta das pessoas próximas. Foi quando o delegado, segundo ele, disparou o tiro. "Ele moveu uma ação judicial contra um membro da igreja. Quando ele viu que a causa ia ser contrária a ele, saiu da audiência, deu as costas para todo mundo e foi gritando 'eu sou Lúcifer'. Quando ele passou por mim, me deu uma cabeçada que fez meu nariz sangrar. As pessoas gritaram para o delegado 'seu covarde'. Ele virou pra trás e deu um tiro".

Na 12ªDP, Henrique Pessoa alegou, em depoimento, que agiu em legítima defesa, após ser agredido pelo grupo de religiosos. "Eu fui surrado, estou com a cabeça aberta. É lamentável o nível de virulência desse homem que se diz liderança religiosa. Ele já me ameaçou de morte, disse que está preparando a minha forma. Hoje, ele recolheu vinte pessoas para me agredir. O que eu fiz foi atirar para o chão, na direção deles, para me defender".

Pessoa alega ainda que, por sua atuação contra a igreja comandada pelo pastor, é alvo de vídeos difamatórios publicados pelo religioso no Youtube. Ele foi responsável por prender o pastor sob a acusação de destruir um terreiro de religião matriz africana. "Ele mandou os fiéis quebrarem o Templo de Oxalá. Ele me persegue desde 2009. Me chama de viado, de macumbeiro. Estou processando ele civil e criminalmente. Ele intitula o grupo dele de camisas pretas, parece mais uma milícia religiosa", declarou.

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