Por thiago.antunes

Rio - Maria Ângela Magdalena dos Santos, de 51 anos, mãe de Jandira Magalena dos Santos, 27 anos, desaparecida desde o dia 26 de agosto ao tentar fazer um aborto em Campo Grande, contou ao DIA que o ex-marido da filha, Leandro Brito Reis, chegou a conversar com a dona da clínica clandestina, Rosemere Aparecida Ferreira, 46 anos, na rodoviária do local.

Rosemere teria ido buscar JandIra e outras três jovens que também seriam submetidas a procedimentos abortivos no local. Segundo Maria Ângela, Rosemere teria informado que traria Jandira de volta ao local em até 1h30, mas não foi o que aconteceu.

Jandira%3A 4 meses de gravidezReprodução

"Uma hora e meia depois, uma das garotas que tinham ido com a minha filha também para realizar um aborto retornou à rodoviária. O Leandro perguntou e ela disse que a Jandyra continuava na clínica, que ficaria em uma rua atrás do antigo Hospital Campi's Dor. Nós fomos até lá, mas não conseguimos encontrar a clínica", contou Maria Ângela.

A 35ª DP, que investiga o caso, informou que vai pedir imagens das câmeras de segurança do entorno da Rodoviária de Campo Grande.

Suspeita foi presa em 2013

Suposta autora do crime, Rosemere foi presa no ano passado por agentes da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), em Xerém, Duque de Caxias. Ela atuava como enfermeira em uma clínica de aborto.

Após detenção no complexo Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, recebeu habeas Corpus para responder o processo em liberdade.

Segundo a mãe da desaparecida, seus parentes tentaram convencer Jandira a desistir do aborto. “Eu sabia que ela ia fazer isso, mas ela disse que era maior de idade e tinha consciência de seus atos”, disse. “Ela errou mas vou até o final para encontra-la com vida”, afirmou.

Medo de nova gravidez

A mulher, que é mãe de duas meninas, uma de 12 e outra de 9 anos, teria ficado desesperada com a gravidez indesejada, segundo a família. Ela teria pago R$ 4,5 mil para fazer o procedimento. “Minha filha juntou todas as economias para isso e eu achei errado, mas ela tinha medo de ser demitida se ficasse grávida”, contou Maria Ângela. Jandira trabalhava em uma concessionária de veículos no Recreio.

A polícia já ouviu Leandro e uma amiga que indicou o local para a realização do procedimento. No endereço da clínica da suposta médica, a polícia não encontrou vestígios de funcionamento. No local, em Bonsucesso, funcionou um clínica de aborto fechada há dois anos, segundo investigações da 35ª DP (Campo Grande).

A família já percorreu hospitais e IML em busca de informações. Segundo Leandro, último conhecido a falar com Jandira, ela estava com quatro meses de gravidez e apreensiva com a operação e pediu que ele a acompanhasse até o local marcado.

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