Cabines antissom para manter a paz nas obras à noite

Medida evitará que barulho acorde moradores que chamam até a polícia para garantir silêncio

Por O Dia

Rio - Quando a britadeira é ligada, os funcionários da prefeitura responsáveis pelo renivelamento de bueiros na cidade já sabem: em poucos minutos alguém vai descer do prédio ou chegar com a polícia para reclamar do barulho. O incomôdo provocado pelo equipamento, que chega a emitir um ruído de 100 a 120 decibéis — praticamente o mesmo som que sai de uma turbina de avião —, virou uma das prioridades da equipe de Conservação do município, a ponto do órgão estudar a instalação de cabines acústicas durante a execução de obras à noite.

Três empresas desenvolvem protótipos de cabine com revestimento especial para impedir passagem de somDivulgação

Três empresas, segundo o secretário municipal de Conservação, Marcus Belchior Corrêa Bento, estão confeccionando protótipos, que têm que ter na sua estrutura revestimento que impede o vazamento de som. “Estamos abertos a sugestões, porque isso realmente incomoda o morador e provoca problemas na nossa equipe. Já tivemos funcionários levados para delegacia por causa da Lei do Silêncio”, afirmou o secretário.

Um dos episódios mais inusitados foi quando um juiz chegou numa viatura da polícia e exigiu que o trabalho fosse paralisado, caso contrário ele daria voz de prisão aos operários.

A busca de uma solução imediata tem um outro forte motivo: a cidade tem 450 mil bueiros e todos os dias pelo menos três estarão passando por renivelamento. Cada procedimento envolve cerca de 20 funcionários e dura, em média, de duas a três horas. O horário escolhido pela prefeitura é sempre depois das 22h, para reduzir os transtornos no trânsito. “O renivelamento de bueiro é um trabalho que nunca vai acabar no Rio, por isso é que a gente quer resolver de vez esse problema”, afirmou Marcus Belchior. 

Os moradores que mais reclamam são os de Botafogo, Flamengo, Glória e Barra da Tijuca. E o motivo pode ser o fato de as ruas destes bairros serem estreitas, com isso, o som da britadeira fica ‘abafado’ e provoca mais estragos do que normalmente. Na maioria da vezes, eles se valem da Lei do Silêncio para embasar o pedido de suspensão da obra. No entanto, o que acontece é que as intervenções da prefeitura são emergenciais, portanto, são prioritárias.

Aceitável após às 22h, só 75 decibéis

No período em que as obras de renivelamento de bueiros estão sendo executadas pela prefeitura, ou seja, à noite, o ruído permitido, em regiões de bares e boates, é de 75 decibéis. Essa frequência, no entanto, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente pode variar de bairro. Quando o nível de barulho é maior que 50 decibéis, pode causar prejuízos para a audição e até alterar o comportamento do indivíduo, provocando estresse e dores de cabeça.
Uma outra alternativa que a prefeitura estuda para solucionar o problema, além do uso da cabine acústica, é fazer vários tipos de obras — serviços de podas, pavimentação, recapeamento — num único dia, na mesma rua e pela manhã. A concentração de serviços agilizaria as obras, causando transtornos no menor tempo possível. “O projeto se chama ‘Zerando a Rua’. Isso depende de uma ação conjunta de vários órgãos, mas, por enquanto, é apenas uma ideia”, afirmou o secretário .

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