Pesquisadores descobrem sítios arqueológicos no Centro

Descoberta foi na Rua Primeiro de Março

Por O Dia

Rio - Uma parte da história do Rio de Janeiro acaba de vir à tona. Arqueólogos descobriram em uma obra em plena Rua Primeiro de Março, uma das primeiras ruas da cidade, sete sítios arqueológicos com peças que datam do século 16, mais precisamente do ano de 1580 — uma época carente de documentação histórica.

“Para uma cidade que vive crescendo, se transformando, essa é uma descoberta muito importante, um documento histórico dos mais valiosos”, ressalta Jeanne Cordeiro, coordenadora do Laboratório de Arqueologia Brasileira. Segundo ela, naquela época, as casas eram demolidas, mas o entulho não era removido. Assim, as novas construções eram erguidas por cima dele, o que ajudou na preservação.

No terreno, além de cerâmicas, cachimbos e fogões, foram encontradas ruínas de uma antiga loja de compra e venda de escravos e estruturas que podem vir a ser da casa onde morou Salvador de Sá, o terceiro governador da cidade e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Rio de Janeiro. Foi ele quem incentivou a população a descer do Morro do Castelo e construir suas casas na várzea, exatamente na região da então chamada Rua Direita, hoje Rua Primeiro de março.

Para o historiador Milton Teixeira, trata-se de uma descoberta estupenda. “É um material extremamente valioso para decifrar um período fundamental da cidade, justamente quando o Rio de Janeiro estava se firmando como um grande entreposto comercial e produtor de açúcar”, explica Teixeira.

No terreno de 800 metros quadrados, que fica no quarteirão entre as ruas do Rosário e Buenos Aires, vai ser construída a nova sede de um grande banco. Como o empreendimento está localizado no Centro histórico do Rio, arqueólogos foram chamados para fazerem escavações no local antes de a obra começar. O material encontrado será analisado, recuperado, fotografado e, posteriormente, exposto ao público.

“Ano que vem, no dia 1º de março, o Rio de Janeiro comemora 450 anos. Essa descoberta é muito emblemática”, diz Regina Coeli, responsável pela área de arqueologia do Iphan Rio (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Reportagem de Márcio Allemand

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