Por thiago.antunes

Rio - Uma disputa entre moradores do Leme, na Zona Sul, e a companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar vem sendo travada por causa do projeto de construção de uma nova linha de bondinhos para ligar a Urca ao bairro. A ideia inicial previa uma estação de embarque e desembarque turístico no Forte do Leme, mas protestos de associações comunitárias garantiram a primeira vitória dos moradores e fizeram com que a empresa alterasse a proposta.

O novo projeto detalhado, orçado em R$ 107 milhões e enviado para a apreciação da Câmara dos Vereadores pela presidente da companhia, Maria Ercilia de Castro, na última semana, prevê apenas a instalação de um mirante no alto do Morro do Leme, com vista panorâmica para a Praia de Copacabana, pelo qual se chegaria em bondinhos que partiriam do Morro da Urca.

Clique na imagem para ampliarArte%3A O Dia

O motivo das reclamações e do cancelamento da estação no Forte do Leme é o fluxo estimado de até sete mil pessoas por dia, que afetaria a tranquilidade do bairro, vizinho à movimentada Copacabana. A companhia fez ainda estudo, que será enviado à Prefeitura e ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que inclui um balanço dos impactos ambientais que a obra causaria na Área de Preservação Ambiental (APA) do Morro do Leme.

“Abrimos mão do acesso terrestre. Encomendaremos ao Coppetec-UFRJ um levantamento completo dos possíveis danos e traçaremos um plano de amortização de qualquer degradação ambiental”, garantiu o diretor técnico da Caminho Aéreo Pão de Açúcar, Giuseppe Pellegrini. Ainda cético quanto aos impactos da obra, o vereador Paulo Messina (PV-RJ), autor de projeto de lei que impede a cessão da APA para a obra, cita outros percalços.

“Trata-se de área de preservação ambiental e a obra pode acarretar derramamento de graxa da lubrificação dos cabos e despejo de esgoto na baía, como já acontece no Pão de Açúcar, sem contar a poluição visual e sonora prováveis”, disse. Pellegrini nega os impactos e qualquer tipo de poluição ou barulho.

Ideia é construir novo mirante no Morro do Leme%2C que tem vista deslumbrante para a orla da Zona SulCarlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

Plínio Senna, integrante do Conselho Gestor do Parque do Leme e integrante da associação de moradores do bairro, é contra a construção do novo mirante e diz que já é possível chegar ao topo do morro através de trilhas. “Nossa luta não é só pelo fim do terminal, mas sim pelo fim da ideia de bondinhos no Leme. Pareceres negativos do Conselho de Meio Ambiente, de 1999 e 2012, já condenaram a obra”, completou.

Empresa quer gôndolas rotativas

O projeto feito pela Caminho Aéreo Pão de Açúcar prevê a instalação de um novo modelo de bondinho, mais arredondado e com sistema rotativo, que faria uma volta completa em torno do eixo ao longo do percurso de 1.300 metros, entre os morros do Leme e da Urca. A tecnologia vem sendo chamada de “4D interativa”.

De acordo com a companhia, o projeto proporcionará a geração de 150 empregos diretos e 300 indiretos. Moradores do bairro do Leme, especialmente das comunidades Chapéu Mangueira e Babilônia, teriam preferência na contratação. De acordo com a direção-técnica da companhia, um ‘contrato de intenção’, assinado em 2010 pelo Exército previa a cessão do espaço do Forte Duque de Caxias.

Em contrapartida, seria construída uma exposição permanente sobre a história do Exército Brasileiro, dos fortes e fortalezas do Rio. O projeto de criação da chamada Linha 3 foi idealizado há mais de 100 anos pelo fundador do Bondinho do Pão de Açúcar, o engenheiro Augusto Ramos. O projeto inicial previa a construção de um mirante no Morro da Babilônia, no Leme. Atualmente, de acordo com a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, cerca de 1,5 milhão de pessoas passam por ano pelos bondinhos.

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